sábado, 10 de agosto de 2013

A livraria 24hrs do Mr. Penumbra é um livro metalinguístico

Foto: Divulgação Novo Conceito
Um livro metalinguístico, visto que é sobre livros que o livro fala. Livros movem a história que gira em torno de um jovem e de um afável senhor.

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O livro A livraria 24 horas do Mr. Penumbra (Robin Sloan, Tradução de Elis Beletti Dobes Bacarji, Editora Novo Conceiro, 2013, 288 páginas), é para aqueles que gostam de livros uma publicação que começa enchendo os olhos do leitor a partir da capa, o cartão postal da narrativa.

Nesta história estreante do escritor americano Robin Sloan, que gira em torno do web designer Clay Jannon, desesperado à procura de um emprego, há uma série de aventuras que envolvem códigos secretos, tecnologia e claro, o mundo da bibliofilia. Poderia ser mais um livro contando história de livros. Mas o escritor consegue reunir da escrita antiga ao mundo da tecnologia e da imprensa de Gutemberg aos hackers.



O próprio web designer Clay Jannon, é o narrador do livro, que em primeira pessoa dá mais vivacidade à história, construída no contexto da crise econômica da Califórnia, mas com acontecimentos marcados pelo tempo presente.
No início do livro Clay está desempregado e com a perda do seu emprego ele começa desesperadamente procurar um novo trabalho. Na ânsia de aceitar qualquer emprego e sem muitas alternativas, ele acaba aceitando ser contratado para trabalhar numa livraria aberta 24 horas, do Mr. Penumbra. O seu turno de trabalho: a noite, horário mais propício para o mistério, para os segredos, terror e suspense, conforme apontam críticos como Antonio Cândido (1985). E para confirmar isso, é no turno da noite que acontece as melhores ações do livro.
No novo trabalho, ele logo vai fazendo amizades com pessoas que ele vai conhecendo no cotidiano da livraria. Inclusive é Kat Pontente, funcionária do Google, que vai desempenhar um papel importante junto com o protagonista dessa aventura.
Na livraria, as coisas são aparentemente calmas, mas só aparentemente, pois o mercado de livros é escasso e os clientes, poucos, mas fiéis. Estes, pertencem a um clube misterioso onde há a troca instantânea dos livros que estão lendo. Cada um destes membros possui um carteirinha, onde consta a sua identificação.
Quando Clay chega à Livraria do Mr. Penumbra ele recebe uma regra: NÃO olhar o conteúdo dos livros da sessão história que fica no fundo da loja. Pois são estes livros que os membros do clube estão lendo e trocando informações entre si.
Pois bem, curiosidade humana dura pouco tempo, né? Como já é previsível pelos leitores, o jovem Clay, auxiliado por seu amigo, que não consegue contar a própria curiosidade humana incita-o a olhar o conteúdo misterioso dos livros classificados por ele como 'pré-históricos'. E OOOOOH! Quão grande é a surpresa de Clay, (e dos leitores) quando ele encontra códigos misteriosos que envolvem uma sociedade secreta e milenar.
Com apenas seu laptop e seu kindle, cuja bateria não resiste mais do que 30 minutos, e a ajuda do seu amigo de infância, apaixonado por jogos de RPG, ele vai desvendar uma série de códigos secretos que o leva a pesquisar mais sobre aqueles misteriosos membros, sobretudo no mundo secreto do carismático Mr. Penumbra.
Mr. Penumbra, um senhor de idade, com seus hábitos misteriosos logo chama a atenção do protagonista e do leitor. Os poucos clientes assíduos da livraria, que sempre vão aos cantos da livraria ler livros em códigos despertam ainda mais a nossa curiosidade, instigada pela narrativa em primeira pessoa do Clay Jannon. Graças a ele, adentramos naquela livraria tão noturna e tão misteriosa. Ao entrarmos, logo somos interiorizados naquela história que mistura coisas antigas com tecnologia. Constantemente nos deparamos com acontecimentos que unem ferramentas googleanas, hackers, Facebook, Apple, Amazon e tantos outros, aproximando-nos da história e dando-nos a sensação de um mundo real.
Semelhante à Robert Langdon, famoso simbologista criado por Dan Brown, o escritor deste romance, Robin Sloan, consegue unir livros, sociedade secreta, misteriosas histórias com uma tecnologia bem palpável aos nossos olhos, porém não chega a ser uma aventura do nível do criptólogo de Dan Brown.
Com um enredo fantasioso, mas cativante, o livro consegue prender a nossa atenção, fluindo como se tivéssemos acompanhando os passos e os papos das personagens. A história lembra jogos do RPG, tanto é que há comparações nítidas no decorrer da história.
Cabe no enredo questionamentos sobre o futuro dos livros impressos e sobre e-book que, de certa forma, são enfatizados na narrativa, pois ora algum personagem faz uso de leituras digitais, ora, uns usam livros impressos.

Enfim, é uma leitura monida de mistérios. Se há uma coisa que incomoda é a constante citação ao Google e suas pesquisas. Fora isso, tudo leva o leitor à diversão. Um livro metalinguístico, visto que é sobre livros que o livro fala. E sobre livro, nós, viciados, entendemos muito bem.
A Editora responsável aqui no Brasil pela publicação, Novo Conceito conseguiu fazer um capa bem brasileira e bem diferente da americana, pois o foco da capa é a livraria.

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