segunda-feira, 3 de junho de 2013

89 anos sem Kafka e uma obra eterna

03 de junho de 1924. 

03 de junho de 2013.
Lá se vão 89 anos...

Morria em Klosterneuburg um escritores mais geniais da Literatura Mundial. 
"A Metamorfose", "O Castelo", "O processo", "Um artista da fome" e "Carta ao Pai" são algumas das obras que fizeram de Franz Kafka um autor tão influente na literatura que originou o termo "kafkiano" para designar aqueles que consideram o mundo interior/exterior um universo absurdo como lógica, um ambiente sombrio, sem cores, cercado de culpa e burocracia a definir bem o nosso tempo" (Warley Belo), ou ainda conforme define o Dicionário Informal é a "confusão entre o real e a ficção, estado hipotético de penumbra, de danação absoluta e de submissão ao imaginário. Crise de identidade entre o mundo e o indivíduo."

É kafkiano não quem diz ser como Kafka. Quem é kafkiano não afirma ser, é reconhecido como tal. Alguns amigos ou pessoas que conheci nessa brevidade ousaram afirmar que possuo hábitos kafkianos, de modo que passei a assim me sintetizar.
E como um kafkiano aqui eu dedico este post especial para o meu querido, amado e idolatrado Franz Kafka.
Não é só o fato de sua vida assemelhar-se à minha. É sobretudo em suas obras que percebo ( e creio que todo leitor) o quanto o ser humano às vezes sente-se alheio à existência do mundo. A mecanização e burocratização deste, a melancolia, solidão e degradação do ser humano encontra no espírito dos personagens kafkiano a crueza da realidade sendo aniquilado pela vontade humana.

Kafka teve uma vida sentimental turbulenta. Vivia em conflitos com o pai, teve casamentos e relacionamentos amorosos frustrados. Graças aos seu amigo Max Brod suas obras hoje podem ser lidas, pois Kafka pedira ao amigo que as queimasse.
Afligido pela tuberculose, Kafka submeteu-se a longos períodos de repouso a partir de 1917. Em 1922, largou definitivamente o emprego – depois de uma série de pedidos de férias – e, excetuadas algumas breves temporadas em Praga e Berlim, passou o resto da vida em sanatórios e balneários. Kafka morreu em 3 de junho de 1924, em Kierling, perto de Viena.

Deixo aqui duas sugestão de vídeos. Uma do curta "Franz Kafka's It's a Wonderful Life" ("Kafka, esta vida  maravilhosa", em tradução livre). O curta metragem foi ganhador do Oscar 1995.




E aqui uma adaptação de "A Metamorfose" narrada em 2 partes.

Para terminar, deixo alguns quotes.

"Assim existe aqui muita coisa a ser cogitada; mas isso não é nada quando comparado com o fato de que a admissão pública é um processo muito meticuloso e o membro de uma família de algum modo suspeita é rejeitado de antemão; esse indivíduo se submete, por exemplo, a esse processo, treme durante anos diante do resultado, por todo os lados lhe perguntam, com espanto, desde o primeiro dia, como pôde ousar algo tão sem perspectiva; mas ele espera – como poderia viver de outra maneira? - mas depois de muitos anos, talvez já ancião, ele fica sabendo da rejeição, fica sabendo que está tudo perdido e que sua vida foi inútil." (O Castelo)

"Reflexões calmas, inclusive as mais calmas, ainda são melhores do que as decisões desesperadas." (A Metamorfose)

"Entre muitas outras coisas, tu eras para mim uma janela através da qual podia ver as ruas. Sozinho não o podia fazer." (Carta a Pollak)

"E, como levava uma existência divina, Deus o tomou para Si; ninguém o viu mais." (Diário)

"Meus escritos tratavam de ti, neles eu expunha as queixas que não podia fazer junto ao teu peito..." (Carta ao Pai)


É isso. O que nos resta, como bons kafkianos é ler suas obras e propagá-las mundo afora e, claro, neste dia que faz 89 anos de morte não deixar de ler, reler, admirar, amar e agradecer por tê-lo existido.
Há tanto a ser dito sobre ele, mas ouso publicar aqui um poema meu datado de 2011.

Eu sou uma barata

Eu acordei
Certa manhã
De sonhos intranquilos
E fui processado
Por sonhar demais
Levaram-me
Prenderam-me
Em um quarto escuro
Imundo...
Satisfiz-me
Com a companhia
Da barata.
Quando chegou o juízo final
Condenaram-me...
Incompreensível fiquei,
Suponho que seja
Por eu não ser humano
Por metamorfosear-me
Por parecer insano
Por denunciar o mundo
E suas mazelas
Junto ao uso do homem.
Uma máquina surgiu
Obtive forças
E escusei ajuda
Morri garoto
Morri sozinho
Morri barata...
Morri Kafka...


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Fonte: L&PM / Wikipédia /

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