sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O amor em tempos de guerra

Como eu já disse certa vez aqui no blog, as guerras serviram de plano de fundo para muitos romances dramáticos que nos fazem refletir sobre a ação humana. Os livros que possuem a guerra como cenário são regados de dramas e, consequentemente, muitas emoções. Com o romance de estreia Aqueles que nos salvaram (Casa da Palavra, Tradução Alice Klesck , 390 páginas, R$44,90) Jenna Blum nos brinda com um romance cheio destas características, porém, como bem disse o jornal The Times "Parece estranho que alguém possa ter escrito um romance prazeroso sobre o Holacausto, mas é o que Jenna Blum fez."
O que fazer quando uma filha de um simpatizante nazista apaixona-se perdidamente por um médico judeu em tempos da segunda guerra?
O que fazer quando você não sabe do seu passado e quer conhecê-lo para entender o seu presente? 
É com estas angustiantes perguntas que a autora trabalha a sua narrativa.

Aqueles que nos salvaram - Jenna Blum
Tradução Alice Klesck - Casa da Palavra
 390 páginas, R$44,90

O fio condutor da história é o romance travado entre Anna, descendente de alemães e Max, descendente de judeus. O romance inicia quando o cão de Anna passa mal e ela corre até o médico mais próximo para poder curá-lo. Com o romance proibido dos dois, nasce Strudel ou Trudy, como é mais conhecida ao longo do livro. O jovem Max, por ser judeu, claro, é entregue à SS e Anna, ainda grávida, resolve sair de casa. Desamparada, a jovem pede auxílio à Mathilde Staudt, uma confeiteira da cidade que lhe ensina a produzir pães. Esta mulher tem o costume de servir pães para os oficiais do campo de concentração e, escondida, deixa alguns extras para alimentar os prisioneiros. Ao descobrir isso, Anna tem a esperança de tentar rever seu amado e começa a acompanhar Mathilde ao campo. Quando da morte de sua protetora, Anna ainda continua visitando o campo na fé de encontrar algum bilhete. Porém é neste momento que a vida da protagonista fica mais difícil: eis que um dos oficiais surge e inicia uma série de questionamentos sobre a presença da mulher ali. Temendo ameaças constrangedoras e no desespero para garantir a sobrevivência de sua filha Truddy, Anna resolve ceder e durante mais de 2 anos mantém relações íntimas com o oficial. Com o tempo, o oficial começa a conviver com as duas. É por esse e outros motivos que Anna insiste em esconder o passado da filha. 

"...Ela Jamais poderá contar-lhe o que começou a dizer: que passamos a amar aqueles que nos salvaram..."(Pág. 361)


Dando um salto no tempo, encontramos Truddy já adulta e professora de história alemã numa faculdade. A menina, agora mulher, participa de um projeto para entrevistar sobreviventes do Holocausto e descobrir o papel das mulheres alemãs durante a Guerra. 
Aqui a própria ação de Truddy confunde-se com a real vida da escritora do livro, pois Jenna trabalhou durante anos entrevistando sobreviventes do Holocausto para a instituição Survivors of the Shoah Visual History Foundation, criada por Steven Spielberg.

A partir do momento da pesquisa, Trdudy ao longo da história tenta descobrir o grande segredo que sua mãe Anna esconde há cinquenta anos . Pois ela, não sabendo a sua história real e até mesmo quem era seu pai, busca incessantemente a verdade de tudo.
O livro vai e volta entre o ponto presente da América onde encontra-se Anna Truddy e o tempo da Alemanha de Hitler. De forma inteligente e cuidadosa, a autora vai mesclando capítulos que nos fornecem fatos da História e da vida das personagens.
A narrativa é intercalada entre o presente e o passado, explicando o que ocorreu na vida de Anna para deixá-la neste estado.
Com extremos diferentes, mãe e filha, tem objetivos peculiares: Anna quer esquecer o passado e, por isso, nunca contou nada à Trudy. Já esta, por sua vez, quer compreender o passado para libertar-se dos pesadelos que a perseguem e entender o que sua mãe esconde.


É mais um romance que tem a Guerra como fundo. Mas este destaca-se pela originalidade com que Jenna Blum consegue impelir em suas linhas incitando no leitor um misto de revolta e prazer pelo romance. Embora o final não seja surpreendente, o livro ficou durante um ano na lista dos mais vendidos do New York Times.

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