segunda-feira, 23 de julho de 2012

Invictus - Conquistando o inimigo - John Carlin - "Uma história de heroísmo"


INVICTUS - Conquistado o inimigo
(Nelson Mandela e o jogo que uniu a África do Sul)
Há determinados livros que não podemos passar a juventude sem lê-los. E os que são necessários para compreendermos o mundo atual, pois é analisando a história que se entende o presente. O livro “Invictus - Conquistando o Inimigo” (Tradução de Teresa Carneiro, Editora Sextante, 272 páginas, R$ 29,00 ), é um deles.
     Até 1995, a África do Sul foi palco de um dos sistemas mais discriminatórios da história: o apartheid, que inspirado no nazismo de Hitler, dividiu a África do Sul em duas: de um lado os africâneres, do outro, os bôeres. O rúgbi era o principal esporte dos sul africanos brancos e era um símbolo de racismo.
     Sendo o rúgbi um esporte preferencialmente dos brancos, Mandela tem, ainda na prisão, a missão de conquistar o coração dos brancos e assim, acabar com o apartheid. Assim, em 1995, Mandela aceita a África do Sul sediar a Copa do Mundo de Rúgbi. E é com o discurso de "um time, um país" que ele vai empreender por 10 anos uma das maiores lutas de sua vida: persuadir a população negra a crer que os "rapazes" merecem uma chance. E para tanto, ele utiliza o slogan "Um time, um país". É com este pensamento que ele avança rumo a vitória do time do seu país, o Springboks. 
Durante o tempo em que esteve na prisão, Nelson Mandela agia de forma discreta e pacífica, aprendia a história e a língua dos africâneres e tudo o que pudesse saber sobre o rúgbi.
Mandela não só tem que conquistar seus inimigos como também o seu povo sofrido, o coração dos negros. É só acreditar, nos ensina Mandela, nobel da paz de 1993. Pois para ele é falando ao coração do inimigo que se conquista o objetivo.
A mantra de Mandela tornou-se uma oração para aqueles que desejam perseverar em uma luta e é seguinte:

"Não falem para as mentes deles. Falem para seus corações." (Pág. 160)

Já com os jogadores, a tática usada por Mandela foi ensinar o hino dos negros aos jogadores e assim incentivá-los a interagir com as crianças das regiões suburbanas do país.
O ápice do livro é o jogo no qual se dá a celebração dos sentimentos perdão, amor, paixão à pátria e libertação do sistema  que dividiu por longos anos o país em dois.

Cabe aqui um alerta: o livro de John Carlin NÃO é uma biografia, mas sim um relato fiel da luta empreendida por Mandela para unificar a África do Sul. É leitura obrigatória para os que estudam política, sociologia, história ou qualquer outra área afim das ciências sociais.
Singelo, cheio de dados históricos, políticos e sociais, o autor nos brinda com uma história emocionante que conquista até quem não possui uma simpatia pelo esporte de Rúgbi.
Invictus recentemente adaptado para as telonas, tendo Morgam Freeman na pele de Mandela e Matt Damon no papel do líder do time. Morgan parece ter nascido só para interpretar Mandela, tamanha a semelhança. Mas claro que o filme não consegue captar as sensações que só uma leitura pode fazer. 

Fisicamente, o livro possui uma boa diagramação, sem erros ortográficos ou gramaticais e traz na capa a imagem dos personagens do filme, o que para mim é uma moda positiva utilizada pelas editoras.


SOBRE O AUTOR: John Carlin é britânico e, durante o fim do apartheid, foi chefe da sucursal sul-africana do jornal The Independent, de Londres. Já escreveu para diversas outras publicações, entre elas o The New York Times e The Observer. Atualmente vive em Barcelona e é repórter internacional sênior do El País.
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O autor John Carlin cedeu uma entrevista por e-mail ao Programa Globo Esporte. Confira abaixo na íntegra:

GLOBOESPORTE.COM: Passaram-se 15 anos desde a ideia de Mandela de usar a Copa do Mundo de rúgbi para tentar reduzir a segregação e a discriminação na África do Sul. E faz 20 anos que ele deixou a prisão. Mudar uma sociedade, claro, nunca é um processo rápido. Como você vê o país na atualidade? Está menos racista?

JOHN CARLIN: O racismo, na verdade, não é a questão agora. Não se você fala das pessoas comuns, cuja maioria trata aos outros com cordialidade e respeito, independentemente de sua raça. A África do Sul tem perdido muito de sua épica e terrível singularidade. Tem os mesmos problemas que muitos outros países. Se não fosse pela Copa do Mundo, a África do Sul não estaria sendo falada no noticiário internacional agora. É uma democracia sólida, com liberdade de expressão e Estado de direito: uma democracia muito mais sólida e respeitável do que, digamos, a Rússia, que mudou ao mesmo tempo. Os maiores problemas agora são a violência, a corrupção e a pobreza.

A África do Sul agora vai sediar a Copa do Mundo de futebol. O que aconteceu com o rúgbi pode ser repetido, e até melhorado, com o futebol no país?JC: Não. O desafio na África do Sul em 1995 era político; agora, é econômico. A África do Sul vai usar a Copa do Mundo do mesmo jeito que o Brasil, com alegria, divertimento e esperança de benefícios econômicos.

Há um orgulho nacional com o futebol do mesmo jeito que ocorre com o time de rúgbi? Os afrikaners gostam do futebol tanto quanto a população negra?JC: Orgulho, sim, mas amenizado pelo fato de que o time não é bom. E os afrikaners não tendem a gostar de futebol, não.

Você pensa que Mandela pode ser usado como motivação para o time e para o povo sul-africanos, como aconteceu em 1995?JC: Um pouco. Mas ele está muito velho para ter um papel ativo.

Seu livro mostra um líder com carisma e estratégia. Quando você pensa em Nelson Mandela, que imagem você faz? Como você define este homem?JC: Ele é um homem de enorme integridade, respeitador, cortês, espontâneo, calmo, charmoso, com vasta autoconfiança. E um democrata, que trata um garçom do mesmo jeito que faz com a rainha da Inglaterra.

Sabe se ele leu o livro?JC: Não leu. Está muito velho. Não consegue se concentrar por muito tempo.

O que você achou do filme “Invictus”?JC: Eu gostei. Agarrou-me do início ao fim – quatro vezes. Eu penso que o filme capta bem o espírito de Mandela e daqueles tempos na África do Sul, e o faz de uma maneira para entreter uma audiência global. Há muito mais política no livro; o filme focou mais na dimensão social do fato.

Que memórias pessoais você tem da África do Sul? Em seu livro, você parece adorar o país.JC: Eu conheci as melhores pessoas do mundo lá, e também as piores. Há mais pessoas que eu admiro lá do que eu qualquer outro lugar do mundo."


Poucos livro sabem contar tão bem uma luta, Invictus - Conquistando o inimigo é um deles.

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