quinta-feira, 19 de julho de 2012

[Meus Versos] Simulacro

Epílogo

Meus ossos sentem o frio
da noite aqui no sítio
que fica à beira rio
.......................................


O astro circular que não roda
projeta no espelho fluvial
a imagem do que fui, que sou 
e do que desejo ser.
É fácil ver a vida ali do lado
difícil é descamar a pele do peixe
difícil é separar ela
do que não é real.


"Como algo real por dentro
Como coisa real por fora".


Porque ver o outro lado
é como viver outra dimensão
onde o ser e o medo
constroem um constante estado de agonia.


Agora as gotas de chuva.
Elas caem sobre a ponte.

Agora a ponte.
A ponte me liga ao outro lado

à outra geração da sociedade.


Agora a água da chuva.
A água mistura-se ao córrego.
E é gigantesca a escuridão...


E os dois lados se fundem
e se mesclam...
e estampam em minha mente
as imagens selvagens 
que o luar transformou
em memórias idas.
Mas o passado é retorno
e o retorno traz paulatinamente
os dois polos extremos  em que vivi:
santidade e obscuridade.


Agora o sono.
Agora o sonho...
`

Para meu ser molestado
o bandido pretérito retorna
e a luta é travada em meu interior.
O velho rio continua
a celebrar absurdos
no gratuito espetáculo
do meu coliseu.


Meus pensamentos dispersos
embora não convençam o rio
a estagnar a passagem,
maximiza a velocidade
e assim a visualização corre
impedindo precisões da imagem.


Passeio rapidamente pelo meu nascimento
pelas puerilidades, paixões, aventuras, revoluções,
o crescimento imaturo e as sanções
que moldaram meu desenvolvimento.


Agora os meus ossos...
Agora o ossos...



Meus ossos já não sentem o frio.
As pinturas costuradas afugentaram
as sensações corporais
dando vazão às tempestades psíquicas.
extravasando a sétima jarra de vidro

e abrindo o ser em dois
tal qual o mar Vermelho.
Que horror! Que horror!
Mas eu nem posso caminhar a pé enxuto!
E a travessia vai complicando a paz.



Finda chuva.
O mundo modifica

a natureza se reveste de quietude
e as ervas conservam seu perfil ancestral.


Com a primazia do sol
meu lado primitivo vem à tona.
O dia me torna iconoclasta
e com sede vampiresca
assassinos os que tem assas - pássaros
e devoro-os ainda vivos.
Dentro, meu organismo soa uivos, pios e assobios.
A loucura escreve o meu próximo ato: o rio.
Um mergulho até o mais profundo grau.


Agora o rio.
Agora o mergulho...


Trago pedras nos bolsos

toldo minha visão.
O rio, que outrora, era fusão,

agora é purgação.

Vícios! Vícios Mundanos me movem

até as montanhas.
Vejo o rio a centímetros de mim.
E eu pulo... E eu pulo...

eu mergulho,
eu mergulho.
É o meu momento.
É o meu mergulho
o mergulho...


....................................................


Prólogo


Do alto da montanha
eu assisto ao meu mergulho
e assisto os que precisam mergulhar.


Minha pele arde de calor
Debruço-me sob o sol.
Levanto-me e deixo tudo para trás:
sem mergulho, sem chuva, sem rio...


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