quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

De moto pela América do Sul na companhia de Che


Título: De moto pela América do Sul
Autor: Ernesto Che Guevara
Editora: Sá Editora
ISBN: 858819306X
Ano de lançamento no Brasil: 2001
Número de Páginas: 190
Onde encontrar: Editora Sá / Submarino / Livraria Cultura

Ha 4 anos atrás quando visitei uma lanchonete e lá comprei uma revista com a história do Che Guevara, fiquei doido pra ler um livro sugerido pelos redatores nas últimas páginas da revista. Ha pouco mais de 1 mês eu tive a sorte e a felicidade de selar parceria com a Sá Editora que publica o livro De moto pela América do Sul - Diário de viagem".
Pois bem, vamos à resenha!

Tudo começa em 1951, quando Ernesto Guevara (ainda não conhecido pelo famigerado CHE) decide fazer uma viagem pela América do Sul com o seu fiel amigo bioquímico Alberto Granado. A epopeia dos dois dá-se na garupa de "La Poderosa", um modelo Norton 500 de 1939 que vai resultar em boas aventuras ao longo da estrada.. O objetivo da viagem é partir da Argentina, mais precisamente da cidade de Córdoba (1951) e chegar até à Venezuela, não somente com o espírito aventureiro, mas também para conhecer melhor o continente, pois o próprio Ernesto após a viagem afirma:

" [...] eu, não sou mais eu, pelo menos não sou o mesmo que era antes [...]" (Página 14)

Ao longo da viagem dos dois jovens, acompanhamos a visão que Ernesto vai tecendo em seu diário. Observamos as suas extremas necessidades, pois a medida que eles vão afastando-se da Argentina, maior a necessidade de contarem com auxílio de caronas em caminhões, ajuda de desconhecidos e um pouco de esperteza dos dois, mais de Alberto que de Ernesto.
É importante observar que ao contrário do que imagina-se, este livro não trata-se do Che revolucionário, mas sim de um jovem aspirante a médico que abandona o conforto de sua casa, deixa sua namorada e parte rumo ao desconhecido a fim de presenciar e até viver a miséria do povo latino americano, ainda submetido ao poderio dos Estados Unidos. É assim que conhecemos o lado mais humano de Ernesto Guevara de la Serna com este olhar piedoso, terno e sempre preocupado com causas humanitárias.

Pense bem: que jovem de 23 anos teria a coragem de passar uma temporada entre leprosos e em condições precárias de higiene? Não é à toa que Ernesto é um dos maiores personagens de nossa América Latina. No entanto, o livro não trata muito este lado, pois aqui são apenas relatos coletados posteriormente pelo próprio Ernesto Guevara e editado em um livro. É perceptível sua capacidade narrativa ao contar os fatos que mais parecem ficção do que realidade, de tão engraçadas, emocionantes e tragicômicas que são como: infinitos tombos, privações, a asma de Ernesto, fome, sede e sono.
O livro é daquela espécie ímpar que já nasceu clássico. É envolvente, sensível, reflexivo, humorado, dramático e cheio de aventuras e emoções... É possível rir em um determinado momento, e logo nas páginas seguintes solidarizar-se com os dois. Ao longo da leitura, pode-se verificar o conhecimento geográfico, histórico e social que Ernesto tem da América do Sul e também pode-se perceber que esta viagem e suas impressões/reflexões iria formar o grande revolucionário do futuro.


Esta edição, publicada pela Sá Editora traz um roteiro detalhado da viagem, cartas, mapas e fotos tiradas pelo próprio Che, além de um resumo biográfico. O livro inspirou o filme "Diários de motocicleta", de Walter Salles, que por sinal também é emocionante. Os dois possuem finais diferentes, porém eu senti fortes emoções nos dois. Mas nada compara-se a um livro, e que livro...

"A pessoa que está agora reorganizando e polindo estas mesmas notas, eu, não sou mais, pelo menos não sou o mesmo que era antes. Esse vagar sem rumo pelos caminhos de nossa Maiúscula América me transformou mais do que eu me dei conta.(…)
A menos que você conheça as paisagens que eu fotografei em meu diário, será obrigado a aceitar minha versão delas. Agora, eu o deixo em companhia de mim, do homem que eu era…” (Ernesto CHE Guevara)


________________________________P.S: Sou suspeito para falar do Che Guevara. Eu sempre apreciei revolucionários. Sugiro o livro para todos os jovens sonhadores, aventureiros, fãs de Che Guevara e demais adultos que vivenciaram o período histórico da vida de Ernestito..

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