sexta-feira, 24 de junho de 2016

Casmurros e reclusos: 7 escritores que preferiram o isolamento


Se há quem diga que se trata-se de misantropia, os escritores excelentes Salinger, do qual pouco se sabe, o brasileiro Dalton Trevisan, conhecido como "O Vampiro de Curitiba", dentre tantos outros que talvez pouco conheçamos, preferiram o isolamento à exposição.
 A reclusão do literatos não é uma coisa nova. Em tempos onde a exposição é exagerada, escritores conseguem driblar a mídia e se recolhem numa reclusão curiosa e excêntrica.A seguir, uma lista com 7 nomes, dentre nomes mundialmente conhecidos e nacionais, que optaram pelo isolamento, seja após uma notícia trágica, seja por opção.
 
 Dalton Trevisan 
 
Nasceu na cidade de Curitiba, em 14 de junho de 1925. Formou-se na Faculdade de Direito do Paraná e liderou o grupo literário que publicou, entre 1946 e 1948, a revista Joaquim. A publicação, que circulou até dezembro de 1948, continha o material de seus primeiros livros de ficção, incluindo Sonata ao luar (1945) e Sete anos de pastor (1948). Em 1954, publicou o Guia Histórico de Curitiba, Crônicas da Província de Curitiba, O dia de Marcos e Os domingos ou Ao armazém do Lucas, edições populares à maneira dos folhetos de feira.
A partir dos habitantes da cidade, criou personagens e situações de significado universal, em que as tramas psicológicas e os costumes são recriados por meio de uma linguagem concisa e popular, que valoriza os incidentes do cotidiano sofrido e angustiante. Publicou também Novelas nada exemplares (1959), Morte na praça (1964), Cemitério de elefantes (1964) e O vampiro de Curitiba (1965). Isolado dos meios intelectuais e concorrendo sob pseudônimo, Trevisan conquistou o primeiro lugar do I Concurso Nacional de Contos do Estado do Paraná, em 1968. Escreveu depois A guerra conjugal (1969) – mais tarde transformada em filme –, Crimes da paixão (1978) e Lincha tarado (1980). Em 1994, publicou Ah, é?, obra-prima do estilo minimalista. Seu único romance publicado é A polaquinha.
Trevisan é reconhecido como um dos maiores contistas vivos da literatura brasileira pela maioria dos críticos do país. Apesar disso, é avesso a entrevistas e exposições em órgãos de comunicação social. Por esse motivo recebeu a alcunha de “Vampiro de Curitiba”, nome de um de seus livros.Além da Literatura, Trevisan exerce a advocacia e é proprietário de uma fábrica de vidros.
 
Thomas Pynchon 
 
Thomas Ruggles Pynchon, Jr. (Long Island, 8 de Maio de 1937) é um escritor estadunidense, conhecido principalmente por seus livros longos e complexos - às vezes com centenas de personagens e dezenas de histórias paralelas -, Thomas é um dos principais expoentes do romance pós-moderno, juntamente com William Gaddis, John Barth, Donald Barthelme, Don Delillo e Paul Auster.
Ganhador do National Book Awards, seu nome é constantemente citado como concorrente ao Nobel de Literatura. Em 1988, foi premiado pela Fundação MacArthur. O crítico literário Harold Bloom nomeou Pynchon um dos quatro romancistas anglófonos "canonizáveis" de seu tempo - ao lado de Don DeLillo, Philip Roth e Cormac McCarthy.
Sua ficção abrange diversos campos, como física, matemática, química, filosofia, parapsicologia, história, mitologia, ocultismo, música pop, quadrinhos, cinema, drogas e psicologia, unindo-os de maneira picaresca, humorística, absurda, poética e sombria. A preocupação central da obra de Pynchon é explorar a acumulação e a inter-relação entre estes diferentes conhecimentos, que resultariam em uma realidade entrópica tangível apenas pela paranóia. Ele também é conhecido pela reclusão em que vive, o que gerou diversos rumores sobre sua real identidade. Nunca concedeu entrevistas e as únicas fotos conhecidas dele datam de sua juventude.
 
Marcel Proust
 
Marcel Proust nasceu em Auteuil, subúrbio de Paris, em 1871. Fundou em 1892 a revista Le Banquet, onde aparecem seus primeiros textos, e passou a colaborar com La Revue Blanche. Nesta época, frequentou os salões aristocráticos parisienses, cujos personagens e costumes forneceram o material para sua obra literária. Com a morte da mãe, em 1905, herdou uma fortuna razoável que lhe permitiu se isolar completamente da vida social (a ponto de trabalhar num quarto revestido de cortiça, para isolamento acústico) e se dedicar inteiramente à criação de Em busca do tempo perdido. Depois de um famoso episódio em que sua obra foi rejeitada pela editora Gallimard por um parecer negativo de André Gide, ela foi publicada entre 1913 e 1927: No caminho de Swann, À sombra das raparigas em flor, O caminho de Guermantes, Sodoma e Gomorra, A prisioneira, A fugitiva e O tempo redescoberto – uma das maiores obras da literatura universal. Proust morreu em 1922, em Paris.
 
Don DeLillo 
 
Don DeLillo é um escritor, dramaturgo e ensaísta norte-americano, cujo trabalho traça um retrato detalhado da vida americana no século XX. Os romances de DeLillo abordam temas tão diversos como a televisão, a guerra nuclear, os esportes, as complexidades da linguagem, arte performática, a Guerra Fria, a matemática, o advento da era digital e do terrorismo global.
Foi galardoado com o National Book Award, o PEN/Faulkner Award e o Jerusalem Prize. Submundo foi finalista dos prémios Pulitzer e do National Book Award e recebeu em 2000 a Medalha Howells da American Academy of Arts and Letters pela mais eminente obra de ficção dos últimos cinco anos; em 2006, foi considerado um dos três melhores romances dos últimos vinte e cinco anos pela New York Times Book Review. 

J. D. Salinger

Nasceu em Manhatan, Nova York, em 1919. Seu romance mais conhecido é O apanhador no campo de centeio, obra que tornou Salinger um dos nomes mais importantes da literatura norte-americana deste século.
Freqüentou escolas públicas e depois a academia militar. Estudou pouco tempo nas universidades de Nova York e Columbia, mesmo período em que começou a escrever contos – alguns publicados em periódicos norte-americanos. Prestou serviço militar entre 1942 e 1946 e participou da II Guerra Mundial, experiência que marcou sua vida e obra.
De volta aos Estados Unidos, começou a colaborar na revista The New Yorker. Em 1948 publicou Um dia perfeito para o peixe-banana, livro elogiado pela crítica e sucesso de público. O apanhador no campo de centeio foi lançado em 1951 e obtém êxito imediato entre a juventude universitária. A linguagem coloquial e humorística e o jargão típico dos adolescentes revolucionaram a escrita literária da época.
Em 1953, Salinger retirou-se da vida pública para viver no campo. Escreveu, entre outros livros, Franny and Zooey (1961), Pra cima com a viga, moçada (1962) e Seymor: uma introdução (1963).


Raduan Nassar
 
Raduan Nassar nasceu em Pindorama, cidade do interior do Estado de São Paulo, filho de João Nassar e Chafika Cassis. Seus pais haviam se casado em 1919 na aldeia de Ibel-Saki, no sul do Líbano e em 1920 imigraram para o Brasil. Seu pai junta-se a parentes que já estavam aqui e se inicia no ramo do comércio, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Em 1921 mudam-se para a cidade de Itajobi, no Estado de São Paulo.O escritor faz, em 1968, as primeiras anotações para o futuro romance Lavoura arcaica. Dois anos depois escreve a primeira versão da novela Um copo de cólera e os contos O ventre seco e Hoje de madrugada.
Em 1950, durante uma aula na quarta série do ginásio, Raduan sofre a primeira das sete convulsões que sofreria nos dois dias seguintes. O diagnóstico alarmista e incorreto de um médico — que chegou a mandar isolar sua casa — seus pais decidem levá-lo para São Paulo em um avião-ambulância. Lá é tratado por um neurologista, tendo retornado da crise com amnésia parcial e passa a ter um comportamento introvertido. Debilitado, não consegue concluir o ano letivo. Em 1971 morre sua mãe, Chafika, segundo ele "criadora de mão cheia" de galinhas e perus. Dela lhe veio o gosto por criação de animais. Apesar de não ter fé religiosa, participa em 1972 da leitura comentada que a família faz do Novo Testamento. As reuniões semanais para este fim se entendem ao longo de quase todo o ano. Ao mesmo tempo, ele retoma as leituras do Velho Testamento e do Alcorão (esta iniciada em 1968). A preocupação com temas religiosos irá mais tarde se refletir de modo acentuado em Lavoura arcaica. Escreve Aí pelas três da tarde, que sai como matéria no Jornal de Bairro e anos depois aparecerá republicado como conto em outros veículos. Em 1973 conhece a professora Heidrun Brückner, do Departamento de Línguas Germânicas da USP, que viria a se tornar sua companheira.
Após a sua estreia na literatura, deixou de escrever em 1984, e mudou-se para seu [sítio em sua cidade natal. Atualmente mora na cidade de Buri, no interior de São Paulo. Em 2010, anunciou a doação de uma fazenda de 643 hectares em Buri para a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Salman Rushdie
 
Nasceu em Bombaim, na Índia, em 1947. De família muçulmana liberal e abastada, aos treze anos foi estudar na Inglaterra e lá permaneceu, tendo se tornado súdito britânico. Em 1968 formou-se em história no King's College, em Cambridge. Depois de uma breve carreira como ator, passou a dedicar-se à literatura em 1971. Seu romance Os filhos da meia-noite ganhou o prestigioso Booker Prize (1981), o Booker of Bookers (1993) e o Best of the Booker (2008). Já Os versos satânicos (1988) valeu-lhe o Whitbread Prize e uma sentença de morte, promulgada pelo aiatolá Khomeini. 
 
 

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