sábado, 28 de maio de 2016

7 Livros de teoria literária para se ler em 2016

Vamos ler mais teoria em 2016.

Para ser crítico, devemos ser leitores. Antes de leitores, observadores e perspicazes. Não necessariamente nessa ordem, é importante que saibamos que critérios levam alçam uma obra ao título de obra de arte. Diante da proliferação de livros que são publicados cotidianamente, urge a necessidade de sabermos distinguir uma obra literária de uma obra não-literária. São critérios que grandes críticos da literatura já fizeram isso antes e enquanto leitores ou pretensos críticos literários, devemos também nos debruçar sobre livros teóricos que adicionam ao nosso conhecimento hermenêutico sobre literatura.
A seguir, uma lista de 7 livros de teoria literária para se ler em 2016, um para cada mês restante desse ano que tá passando com uma velocidade incrível.


:)



1. Lições de Literatura Russa - Nabokov (Editora Três Estrelas)


Durante as décadas de 1940 e 1950, o escritor russo Vladimir Nabokov realizou em universidades americanas uma série de cursos sobre alguns dos pilares da literatura de seu país: Gógol, Turguêniev, Dostoiévski, Tolstói, Tchekhov e Górki. 
Apenas em 1981 as aulas foram reunidas em livro nos Estados Unidos, graças ao editor Fredson Bowers, que organizou as anotações deixadas pelo autor de Lolita. Essas lições preciosas são agora publicadas pela primeira vez no Brasil.
Nabokov analisa os principais livros e temas dos expoentes da literatura russa do século XIX, bem como seus métodos de criação. O escritor não se furta a revelar sua admiração por Tolstói e demais predileções: "Aquele que prefere Dostoiévski ou Górki a Tchekhov nunca será capaz de apreender a essência da literatura e da vida russas".
Além de desfazer equívocos e chavões sobre a Rússia e seus autores, Nabokov transforma essas lições em exercícios de liberdade, opondo-se de maneira implacável e irônica aos dogmas da crítica literária e às ideologias políticas.


2. O burguês - Franco Moreti (Editora Três Estrelas)


A ascensão e queda da figura do burguês na literatura é o tema do livro do crítico italiano Franco Moretti, professor de literatura da Universidade Stanford (EUA). 
Em seis capítulos concisos, enérgicos e iluminadores, ele recorre à obra de alguns dos principais autores do século XIX e início do XX, a fim de demonstrar como a busca de hegemonia por parte da cultura burguesa está entrelaçada à racionalização da prosa e à invenção do romance. 
Por meio das obras de, entre outros, Daniel Defoe, Jane Austen, Gustave Flaubert, Machado de Assis, Joseph Conrad e Henrik Ibsen, o crítico mostra como o declínio do burguês ocorre a despeito da consolidação do capitalismo. "As mercadorias se tornaram o novo princípio de legitimação; o consenso passou a ser erigido sobre coisas, não sobre homens - menos ainda sobre princípios", escreve Moretti. 

3. O Discurso e a Cidade - Antonio Candido (editora Ouro sobre Azul)

Os ensaios deste livro se agrupam em três partes, na primeira das quais são analisados quatro ro­man­cistas preocupados em construir a impressão de verdade por meio de narrativas aderentes ao real, com uma fidelidade aos dados externos que as faz parecerem documentários. São eles: um realista espontâneo, Manuel Antonio de Almeida (Memórias de um sargento de milícias) e três naturalistas estudados com intuito comparativo: Émile Zola (L’Assom­moir), Giovanni Verga (I Malavoglia) e Aluísio ­Azevedo (O cortiço).
A segunda parte descreve criticamente um poema de Caváfis (Esperando os bárbaros), uma narrativa curta de Kafka (A construção da muralha da China) e dois romances: O deserto dos tártaros, de Dino Buzzatti e O litoral das Sirtes, de Julien Gracq. Ao contrário dos textos abordados na primeira parte, estes se afastam do realismo e constroem a sua verdade numa moldura irreal, propondo mundos alternativos. E enquanto os da primeira parte são, de um modo ou de outro, miradas críticas sobre sociedades existentes, os da segunda mostram lugares imaginá­rios, marcados pela premonição de catástrofes, sentimento freqüente na literatura do nosso tempo. Postas lado a lado, essas duas partes procuram suge­rir que na literatura a verdade se constitui tanto pela representação do real quanto pelas fugas da fantasia. Daí o autor sugerir o que denomina “crítica de vertentes”, capaz de se ajustar à natureza variada dos textos.
A terceira parte aborda quatro poemas brasileiros, do século XVIII ao século XX, três dos quais praticamente ignorados pela crítica. Embora desligados um do outro (ao contrário dos textos da primeira e da segunda parte), eles têm um traço em comum: divergem das correntes dominantes no seu momento como verdadeiros poemas “do contra”. São: uma epístola em prosa e verso de Sousa Caldas; um soneto absurdo de Bernardo Guimarães; um soneto sádico de Fontoura Xavier e um poema discrepante de Mário de Andrade. Neste livro estão presentes algumas das preo­cupações do autor, como a estruturação da obra a partir da correlação transformadora entre os estímulos externos e a montagem específica do texto; a rela­ção entre mimese e fantasia; o papel dos desvios da norma nas correntes literárias.

4. Aula de Literatura: Berkeley, 1980 - Cortazar (Editora Civilização Brasileira)

Berkeley, Califórnia, outono de 1980. Depois de anos negando, Julio Cortázar aceita dar um curso universitário de dois meses nos Estados Unidos. Como se poderia esperar, não se tratam de conferências didáticas, mas de conversas sobre literatura e sobre tudo acerca da sua experiência como escritor e a gênese de suas obras. As aulas tratam de temas diversos, como o conto fantástico, a musicalidade, o humor, o erotismo, o realismo e o lúdico na literatura.
O livro é o resultado de uma minuciosa e fiel transcrição das treze horas de gravação das conversas entre o autor e o público presente nas classes. Dividido em temas, a obra permite que o leitor mergulhe no universo cortazariano e entenda um pouco sobre seus processos de criação, sua evolução como escritor, o sentido de um livro como O jogo da amarelinha e de que forma ele foi escrito.


5. Introdução aos estudos literários - Erich Auerbach (editora Cosac Naify)

Introdução aos estudos literários foi escrito em 1943 para alunos da universidade de Istambul, durante o exílio forçado do autor. Nele, de forma ao mesmo tempo erudita e clara, Auerbach explica as bases de sua abordagem da literatura. Chamada de Filologia Românica, ela dá unidade à literatura europeia ao longo da história, partindo do Cristianismo e do latim. O livro descreve a evolução das línguas modernas derivadas do latim e traça um panorama dos períodos literários da Idade Média ao século XIX.




6. Os antimodernos - De Joseph de Maistre a Roland Barthes (Editora UFMG)

Quem são os antimodernos? Não os conservadores, os acadêmicos, os medrosos, os convencionais, os reacionários, mas os modernos a contragosto, sem querer, contra a vontade, aqueles que avançam olhando no retrovisor, como Sartre dizia de Baudelaire. Os antimodernos foram o tempero da modernidade, seu avesso ou sua dobra, sua reserva e seu recurso. Sem o antimoderno, o moderno teria os dias contados, pois os antimodernos deram a liberdade aos modernos, eles foram os modernos mais a liberdade. Este livro explora o filão da resistência que atravessa toda a modernidade e que de alguma maneira a define, distinguindo-a de um modernismo ingênuo, zeloso do progresso. A contrarrevolução, o anti-iluminismo, o pessimismo, o pecado original, o sublime, a vituperação e algumas grandes figuras antimodernas dos séculos XIX e XX são examinados nesta obra.


7. A tarefa do crítico - Terry Eagleton
Nos primeiros meses de 1930, Walter Benjamin planejou uma coletânea de ensaios sobre literatura com o objetivo de "recriar a crítica como gênero", mas este livro nunca se materializou; e assim como seu projeto sobre as passagens parisienses também esboçado em 1930, a obra foi considerada por ele uma das "derrotas em grande escala" de sua vida. Entretanto, sobrevive
ram resíduos vitais da sua tentativa de recriar a crítica da época. Em meio a esse brilhante repositório do início dos anos 1930, estão anotações para um ensaio sobre "A tarefa do crítico", um dos artigos que Benjamin planejava incluir na coletânea não publicada sobre literatura. Nas anotações de Benjamin sobre a tarefa do crítico, como já indicado, ele enfatiza que "um grande crítico permite que os outros formem suas próprias opiniões com base na análise crítica que ele produz". Esperamos que este livro exemplifique essa máxima em relação a Eagleton, em especial porque, como Stuart Hall observa, "a forma interrogativa" de um livro de entrevistas, pelo menos potencialmente, "convida o leitor a participar de algo que é, em todo caso, um diálogo.

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