quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

12 livros de 2015

1. Nós, os afogados (Vi, De Druknede) - Carsten Jensen
Originalmente publicado na Dinamarca, em 2006, Nós, os afogados é um épico no tamanho e no alcance. Construído com excepcional profundidade, o livro narra cem anos da vida dos moradores de Marstal, cidadezinha localizada na ilha de Ærø, enquanto conta as aventuras de Laurids Madsen, de seu filho Albert e do órfão Knud Erik.
A história começa em 1848, quando os marinheiros da pequena cidade dinamarquesa de Marstal embarcam em uma guerra contra os alemães pelo controle do ducado Schleswig-Holstein. A euforia inicial dos combatentes dá lugar à angústia e ao medo quando veem de perto a morte de seus companheiros. Nem todos retornam – e aqueles que o fazem nunca mais serão os mesmos. Entre eles, está o excêntrico Laurids Madsen, que, depois de sobreviver à batalha, desaparece no mar.

Depois de crescido, seu filho Albert viaja o mundo em busca do pai, uma empreitada que o deixará nas mãos de companhias nefastas e lhe garantirá alegrias e decepções profundas. Carregando uma misteriosa cabeça encolhida e atormentado por premonições, Albert volta para Marstal, uma cidade cada vez mais dominada por mulheres, incluindo a viúva Klara Friis, que planeja acabar com a tirania do mar sobre os homens do lugar. Seu filho, Knud Erik, estabelece com Albert uma relação de amizade e confiança. Contrariando o desejo da mãe, Knud Erik se torna marinheiro – e é ele a figura central da segunda metade do livro, o herói que nos conduzirá pelos mares do norte em outra guerra contra os alemães.

Das rochas do Canadá às plantações exuberantes de Samoa, das tabernas barra-pesadas da Tasmânia às costas congeladas da Rússia – em Nós, os afogados, o leitor viaja pela vastidão do mundo e, através de seus personagens, experimenta paixões, desilusões, a graça e dor da sobrevivência.

Como o coro das tragédias gregas clássicas, o livro é narrado em sua maior parte por uma personagem coletiva, um “nós” que representa a memória dos homens da cidade de Marstal e relata cem anos de mudança e progresso.

2. Vá, coloque um vigia - Harper Lee

A continuação de O sol é para todos, um dois maiores clássicos da literatura mundialJean Louise Finch, mais conhecida como Scout, a heroína inesquecível de O sol é para todos, está de volta à sua pequena cidade natal, Maycomb, no Alabama, para visitar o pai, Atticus. Vinte anos se passaram. Estamos em meados dos anos 1950, no começo dos debates sobre segregação, e os Estados Unidos estão divididos em torno de questões raciais. Confrontada com a comunidade que a criou, mas da qual estava afastada desde sua mudança para Nova York, Jean Louise passa a ver sua família e amigos sob nova perspectiva e se espanta com inconsistências referentes à ética e a pensamentos nos âmbitos político, social e familiar.




3. A VIDA DE H.P. LOVECRAFT - S. T. Joshi

A vida de H.P. Lovecraft – o grande mestre do terror, de S.T. Joshi (principal especialista mundial em Lovecraft), é a biografia definitiva daquele que, nas palavras de Stephen King, “permanece insuperado como o maior expoente do horror clássico”.

Lovecraft − o criador do personagem icônico Cthulhu −, além de manter, geração após geração, uma legião de leitores em todo o mundo, conseguiu o feito raro de ter um trânsito cada vez maior da literatura para a cultura de massa contemporânea. “Ele é um nome adorado na cultura pop, e uma influência sobre ‘todo mundo’: do escritor argentino Jorge Luis Borges ao cineasta Guillermo del Toro, sem falar de um número incontável de bandas de rock e designers de jogos” (Laura Muller, revista Salon).



4. O FRÁGIL TOQUE DOS MUTILADOS - ALEX SENS
Passado ao longo de 28 dias numa pequena cidade litorânea, o romance conta a história de Magnólia, uma enóloga tão temperamental quanto enigmática, que visita o irmão e os sobrinhos após ter estado três anos distante. Voltar àquela casa de frente para o mar parece ser uma série de novos testes em sua vida: confrontar o passado, aceitar a nova situação do irmão viúvo, viver uma nova e arriscada paixão e ser a guardadora de um segredo que pode abalar toda a sua família. O frágil toque dos mutilados é um drama familiar sobre o reencontro de pessoas que tentam se explicar, se ajustar e se compreender através de seus sonhos e conflitos.
Para Marcia Tiburi, “O mar é, para a ação que aqui se dá, um pano de fundo tão belo quanto trágico. O romance, desenhado com a meticulosidade da pena de Alex Sens Fuziy, constrói-se nesse trânsito, sobre aquela espécie de dificuldade consigo que é vivida por cada pessoa quando ser e estar – diante de si mesmo e diante dos outros – não parecem nada simples. Quando a possibilidade de viver junto com os outros está a cada momento posta em xeque.”


5. O Homem que queria ser rei - Rudyard Kipling
Os amigos Peachey Carnehan e Daniel Dravot são dois aventureiros ingleses que perambulam pela Índia do século XIX praticando pequenos truques e trapaças para ganhar a vida. Quem narra suas histórias é um jornalista, editor de um jornal local, que os conhece por acaso numa viagem de trem. Meses depois, os dois procuram o jornalista nas vésperas da partida para a grande aventura de suas vidas: tornarem-se reis do Cafiristão, um lugar no mundo em que dois homens fortes podem reinar.

Cheia de referências à maçonaria e uma alegoria clara do imperialismo britânico, O HOMEM QUE QUERIA SER REI é uma das histórias mais famosas da literatura de aventura. A excêntrica jornada dos fascinantes personagens apresentados por Kipling tem seu início numa caravana em que um vai disfarçado de monge, e o outro de criado. Atravessam fronteiras com fuzis escondidos, cruzam com povos de hábitos, costumes e crenças que lhes são estranhas, e vão se impondo, sem saber que o que fazem é se equilibrar numa tênue linha que separa o trinfo da tragédia.

HOMEM QUE QUERIA SER REI foi levado ao cinema pelo diretor John Huston, em 1975, estrelado por Sean Connery, Michael Cane e Christopher Plummer.

6.
O Mundo Como Vontade E Como Representação - Tomo II
No Tomo II, o filósofo alemão aprofunda reflexões de O mundo como vontade e como representação, expressando-se com mais liberdade e franqueza

Ao articular, em 1818, o seu sistema filosófico em O mundo como vontade e como representação, Arthur Schopenhauer (1788-1860) contrapôs-se às correntes racionalistas do pensamento ocidental de então. Em 1844, o autor alemão retorna às mesmas questões metafísicas de sua obra mais conhecida, agora mais maduro, expressando-se com mais “liberdade e franqueza”, sem fazer tantas concessões às tradições universitárias, como revelou em uma correspondência pessoal. O resultado é o Tomo II de O mundo como vontade..., cuja tradução direta do alemão, realizada durante cinco anos pelo professor Jair Barboza, é lançada pela Editora Unesp, reeditando a parceria que resultou no Tomo I de 2005.

O Tomo II pode ser entendido como uma nova forma que Schopenhauer encontrou para expor suas ideias filosóficas, aproximando a metafísica da psicologia. Esses “suplementos”, como o autor os denominava, não constituem tão somente uma revisão madura do texto da juventude, mas uma outra obra escrita desde a mesma estrutura, em que aprofunda a noção de representação: de que toda a existência objetiva das cosias depende do ser que as representa.

As refinadas observações psicológicas, observa Jair Barboza na introdução desta edição, ao aprofundarem as teses do Tomo I, chegam até as fronteiras “da vontade como puro ímpeto cego e inconsciente”. Assim, Schopenhauer aprofunda sua tese com respeito à relação entre o racional e o intuitivo, afirmando que “a pura vontade irracional cega e inconsciente” é primária, e a razão, secundária, um mero momento dessa vontade em sua “manifestação cosmológica”. Crítico mordaz das tradições de sua época, Schopenhauer não poupa pensadores consagrados, opondo-se sem concessões a pensadores que, na sua perspectiva, são responsáveis por “corromper” inteligências, entre eles, Hegel, a quem classifica de “charlatão repugnante”.

Schopenhauer percorre uma vasta gama de temas, apresentando reflexões para a filosofia grega, a arte, a sexualidade e a loucura. Em suas observações, dialoga com o conhecimento empírico da época e constitui, desse modo, uma potente contribuição para o pensamento humano, cujos desdobramentos são observáveis por exemplo na psicanálise de Freud, na filosofia da vontade de potência de Nietzsche e na psicologia do inconsciente de Jung.

7. UMA JUVENTUDE NA ALEMANHA - Ernst Toller
Esta autobiografia cobre apenas os primeiros 30 anos do dramaturgo, mas em um período crucial da história alemã – do império que avançava para o Leste, passando pela Primeira Guerra, até as violentas convulsões sociais no imediato pós-guerra. Segundo o próprio, “Não é apenas minha juventude que está aqui registrada, mas a juventude de uma geração e, além disso, parte da história de uma época. Essa juventude trilhou muitos caminhos, seguiu falsos ídolos e falsos líderes, mas nunca deixou de buscar o esclarecimento e de seguir os preceitos do espírito.” Trata-se de alguém que acreditava que as pessoas tinham uma “missão humana” e vivenciou tempos extraordinários.
COMPLEMENTO - Um apolítico vai ao Reichstag, Joseph Roth



8. Um Dia Toparei Comigo - Paula Fabrio
Vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, em 2013, Paula Fábrio lança seu segundo romance, “Um Dia Toparei Comigo”, uma frase emprestada do poeta Mário de Andrade. O ponto de partida é a partida do Brasil. Sem trabalho fixo e fugindo do luto pela morte recente do pai, a protagonista resolve sair do país e viajar com a namorada pela Europa. Neste road livro por Barcelona, Madri e Paris, refletimos sobre o amor entre iguais e desiguais, e a reparação que o tempo nos oferece, para seguir adiante.


9. Viver é perigoso?  - Michael Blastland, David Spiegelhalter
Perigos de todo tipo assombram os seres humanos: doenças, acidentes, crimes, desastres naturais e até a ingestão de alimentos inapropriados. Mas quais são as chances de esses males realmente nos atingirem? É mais perigoso se submeter a uma anestesia geral ou participar de uma maratona? É mais arriscado atravessar 500 quilômetros de carro ou percorrer 40 quilômetros de bicicleta? 
Neste livro, o jornalista britânico Michael Blastland e o estatístico David Spiegelhalter, professor da Universidade de Cambridge, analisam numerosas atividades que praticamos durante a vida, a fim de apontar quais delas representam de fato um risco ou um perigo. A partir de estatísticas, de fatos do cotidiano e de impasses vividos por três personagens - o sensato Norm, a medrosa Prudence e o ousado Kelvin -, os autores chegam a conclusões surpreendentes, que ajudam a desfazer vários medos e mitos coletivos e pessoais.

Confira um trecho do livro ‪Viver é perigoso?


10. Far and away - Longe e distante - Neil Peart

Imagine que um amigo seu é músico e escritor conhecido mundialmente – como Neil Peart, baterista e letrista da banda de rock Rush. A cada dois ou três meses, ele envia para você uma carta cheia de grandes sacadas, ricamente ilustrada com fotos, falando
 sobre viagens, música, natureza, arte e vida, observações reunidas durante as viagens de moto pelas estradas da América do Norte, Europa e América do Sul entre os shows da turnê do Rush. Cobrindo um período de quatro anos, essas 22 histórias são cartas abertas que relatam aventuras que são ao mesmo tempo pessoais e universais – dos desafios e realizações na vida profissional de um artista ao nascimento de uma criança. O irresistível fluxo de palavras e imagens convergem num trabalho único e incrivelmente original. Far and Away – Longe e Distante é um livro para ser apreciado como cartas de um amigo distant


11. A MENINA SUBMERSA - Caitlín R. Kiernan
A Menina Submersa: Memórias é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do “real” sobre o “verdadeiro” e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma “obra-prima do terror” da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013.

O trabalho cuidadoso de Caitlín R. Kiernan é nos guiar pela mente de sua personagem India Morgan Phelps, ou Imp, uma menina que tem nos livros os grandes companheiros na luta contra seu histórico genético esquizofrênico e paranoico. Filha e neta de mulheres que buscaram o suicídio como única alternativa, Imp começa a escrever um livro de memórias para tentar reconstruir seus pensamentos e lutar contra o que seria “a maldição da família Phelps”, além de buscar suas lembranças sobre a inusitada Eva Canning, sua relação com a namorada e consigo mesma, que evoca em muitos momentos a atmosfera de filmes como Azul é a Cor mais Quente (Palma de Ouro em Cannes, 2013) e Almas Gêmeas (1994), de Peter Jackson.

12. 
Antologia da Poesia Erótica Brasileira  - Eliane Robert Moraes
Esta Antologia da Poesia Erótica Brasileira, fruto de rigorosa pesquisa, vem apresentar ao leitor as principais figuras de pensamento e formas de criação que compõem nossa lírica erótica desde o século XVII até os dias de hoje. Figuram nela poetas de épocas, estéticas e contextos bastante diversos – de Gregório de Matos a Hilda Hilst, de Gonçalves Dias a Carlos Drummond de Andrade, de Álvares de Azevedo a Ana Cristina César, de Olavo Bilac a Ferreira Gullar, entre muitos outros –, cujos versos se alternam entre a sensualidade meramente alusiva e a obscenidade mais provocante. Lado a lado, eles se reúnem aqui para dar voz a um excesso que é, antes de tudo, o da imaginação.

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