*Resenha elaborada pela colaboradora Juliene Lopes
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SINOPSE: Este romance retraça a vida da pintora Charlotte Salomon. Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemães com a ascensão do nazismo, tem que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante. Sabendo estar em perigo, entrega os desenhos ao seu médico, dizendo: ''É toda a minha vida". Padece em Auschwitz, aos 26 anos, grávida. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.
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SINOPSE: Este romance retraça a vida da pintora Charlotte Salomon. Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemães com a ascensão do nazismo, tem que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante. Sabendo estar em perigo, entrega os desenhos ao seu médico, dizendo: ''É toda a minha vida". Padece em Auschwitz, aos 26 anos, grávida. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.
Quando eu era criança, costuma achar biografias sem
graça. Me recordo de pensar "Qual a graça de ler o que já se sabe?"
Como se o saber de antemão os eventos principais da vida de alguém tornasse a
história previsível. Só com o passar dos anos ganhei a maturidade de entender
que o que faz a vida de alguém é o percurso, os mínimos detalhes que guiam seus
passos aos eventos principais.
E é isso que traz a beleza ao triste romance escrito por
David Foenkinos. Pois a vida de Charlotte foi trágica desde antes de sua
existência. Herdeira de uma linhagem de suicidas, ela parece ser a única que,
apesar da melancolia, era ávida por viver.
Perdeu a mãe para a depressão e para o suicídio muito
cedo, aos seis anos de idade, portanto conheceu cedo a força da solidão. O pai,
muito dedicado ao trabalho, não tinha muito tempo para ela, mas encontrou em
Paula, sua segunda esposa, uma boa substituta para a mãe de Charlotte.

Ficou um tempo reclusa em casa, encontrando conforto em
seus desenhos. Apaixonou-se pelo professor de música da madastra, Alfred. Um
homem incapaz de prometer um amor pleno e fértil. Ele mesmo era meio quebrado
por dentro e portanto, nunca fez promessas. Com a intensidade da perseguição
aos judeus, Charlotte foi obrigada a se exilar na França, e assim o fez. Uma
vítima das circunstâncias, sempre sofrendo as consequências dos atos alheios: a
solidão dada pelo suicídio da mãe; a proibição de expor seu talento por ter
nascido judia; a insegurança de um amor mal correspondido; a fuga do ódio
alheio. Mas apesar disso, ela sobreviveu e se perpetuou na arte.
Foi pega pelos nazistas três vezes. Na primeira, foi
parar em um dos campos junto com seu pai. Ambos sobreviveram, foram soltos.
Depois disso foi enviada para a França, onde estavam seus avós. Somente lá,
após o suicídio da avó, foi descobrir que sua própria mãe também havia se
matado. Ficou devastada, chorou todas as lágrimas que se esforçou para prender
durante anos. Após uma visita ao médico da família (doutor Moridis) veio a
catarse, nascia a semente da sua obra "Vida? Ou Teatro?" Decidiu
colocar nas pinturas a história da sua vida.
"E
enfim, ela precisa o estado de espírito do seu personagem:
Era
preciso desaparecer da superfície humana por algum tempo.
E,
para isso, aceitar todos os sacrifícios.
A
fim de recriar as profundezas do seu ser, o seu próprio universo" (página
187)
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A linguagem e a forma poética da narrativa. |
Foram dias dedicados exclusivamente ao trabalho. Mostrou
ao mundo a própria figura e todos os outros personagens que partilharam a vida
com ela. Quando concluiu colocou tudo em uma mala e confiou sua obra, toda sua
vida, à Moridis. Foi pega uma segunda vez pelos nazistas, mas a solidariedade
de um soldado a ajudou a fugir. Exilou-se mais uma vez dentro da própria
França. Engatou um relacionamento com Alexander Nagler, engravidou, casou.
Viviam como dois eremitas, escondendo-se do perigo. Mas após uma denúncia, ela
foi pega pela última vez. Marido e mulher foram presos, separados e por fim
Charlotte teve a maternidade negada ao morrer junto ao filho não nascido, em
Auschwitz.
Parece tudo triste, trágico, mas apesar de tudo Charlotte
inspira resiliência, força, vontade de viver.
"Eu
era todos os personagens na minha peça.
Aprendi
a seguir por todos os caminhos.
E
assim tornei-me eu mesma." (p.195)
Foenkinos escreve sua narrativa como poesia. É uma
leitura dramática e reflexiva, com frases de impacto. Charlottte inspira
empatia, ao olhar para ela, através das linhas e das palavras, só posso dizer
que gostaria de ter sido sua amiga, aplacar um pouco sua solidão. Mas como ela
própria ensina, existem as circunstâncias. Todos podem ser vítimas delas mas
cabe a cada um a escolha de aprender com as situações e ressurgir com beleza e
força delas, deixando assim de ser vítima delas. Charlotte foi assim.
Nascido em Paris, em 1974, David Foenkinos é roteirista de cinema e
autor de mais de uma dezena de livros, entre os quais os romances O potencial erótico de minha mulher e A delicadeza, que deu origem ao filme A delicadeza do amor,
dirigido por ele e pelo irmão, Stéphane Foenkinos, e estrelado por
Audrey Tautou. Saudada por público e crítica, sua obra é traduzida em
mais de 20 países.
FONTES:
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