Na capa do novo livro de Samanta Schweblin, há um elogio de Mario Vargas Llosa colocando a autora como uma das "vozes mais promissoras da literatura contemporânea em língua espanhola".
O uso do adjetivo promissor não se faz a toa. A autora de Distância de Resgate (Distancia de rescate, Tradução de Ivone Benedetti, Editora Record, 2016, 144 páginas, R$34,90) vai para o panteão de escritores de língua espanhola.

A autora já tinha estreado no Brasil com o brilhante Pássaros na boca (Benvirá, 2012), onde pequenos fatos cotidianos iam rumo à perturbações. Em Distância de Resgate a autora vai além disso e apresenta a história sob a ótica de duas narrativas.
Com pouquíssimos personagens, o enredo já inicia com um diálogo de duas vozes que vamos aos poucos nos familiarizando e re(conhecendo).
Amanda, Nina (sua filha) e seu marido acabam de chegar ao novo povoado rural onde irão habitar. Nos primeiros dias, Amanda conhece Carla e seu filho David. Numa ensolarada tarde, depois de já fazer amizade com Carla, as duas estão conversando na beira de um lago quando Carla conta-lhe uma história estranha sobre seu filho. Seu marido é criador de cavalos e a eles dedica mais atenção que ao próprio filho. Suspeita-se que com o uso de agrotóxicos o filho David tenha contraído uma doença rara junto com um dos cavalos do seu pai, já que ambos beberam na água do lago. Mas afinal, qual a causa da doença? Agrotóxicos? Vermes? Um praga? E as crianças doentes e parasitárias? E a transposição de almas como forma de salvação?
A partir desse mote inicial, tudo fica estranho e o leitor, que já vinha acompanhando ao jogo de diálogos de um David totalmente estranho e frio, agora se vê diante um fato excêntrico.
Carla, dividida pela culpa, leva o filho numa curandeira da região na esperança de salvá-lo num ritual de transposição de almas (a alma do garoto seria dividida em duas). Assim, David não é mais o mesmo. Após o ritual, Carla não o reconhece mais como filho, já que não sabia como lidar com a sua estranheza.
Sobre a autora:
Samanta Schweblin nasceu em Buenos Aires, em 1978. Formou-se em cinema pela Universidad de Buenos Aires. Em 2001, ganhou os prêmios Fondo Nacional de las Artes e Haroldo Conti, ambos na Argentina, por seu primeiro livro, "El Núcleo del Disturbio". Em 2008, foi a vez de "Pássaros na Boca" ser agraciado com o prêmio Casa de las Américas. Seus contos, traduzidos para o alemão, inglês, holandês, húngaro, italiano, francês, sueco e sérvio, apareceram em diversas publicações e antologias. Em 2010, Samanta foi apontada pela revista literária Granta como uma revelação entre os melhores escritores jovens de língua espanhola.
Com pouquíssimos personagens, o enredo já inicia com um diálogo de duas vozes que vamos aos poucos nos familiarizando e re(conhecendo).
Amanda, Nina (sua filha) e seu marido acabam de chegar ao novo povoado rural onde irão habitar. Nos primeiros dias, Amanda conhece Carla e seu filho David. Numa ensolarada tarde, depois de já fazer amizade com Carla, as duas estão conversando na beira de um lago quando Carla conta-lhe uma história estranha sobre seu filho. Seu marido é criador de cavalos e a eles dedica mais atenção que ao próprio filho. Suspeita-se que com o uso de agrotóxicos o filho David tenha contraído uma doença rara junto com um dos cavalos do seu pai, já que ambos beberam na água do lago. Mas afinal, qual a causa da doença? Agrotóxicos? Vermes? Um praga? E as crianças doentes e parasitárias? E a transposição de almas como forma de salvação?
A partir desse mote inicial, tudo fica estranho e o leitor, que já vinha acompanhando ao jogo de diálogos de um David totalmente estranho e frio, agora se vê diante um fato excêntrico.
Carla, dividida pela culpa, leva o filho numa curandeira da região na esperança de salvá-lo num ritual de transposição de almas (a alma do garoto seria dividida em duas). Assim, David não é mais o mesmo. Após o ritual, Carla não o reconhece mais como filho, já que não sabia como lidar com a sua estranheza.
Após saber da história, Amanda decide, então, ir embora da comunidade rural. Mas será que daria tempo fugir do perigo iminente? Será que a distância de resgate já teria sido ultrapassada?
Com um David totalmente estranho daquele que conhecemos por meio da história de Carla, já que ele parece estar em um outro plano, Amanda dialoga e se pergunta acerca da estranheza dos fatos daquele lugar que parece inóspito. Numa sala de emergência que ficamos sabendo mais ou menos no meio da história, Amanda vai descrevendo e narrando a David as suas lembranças daqueles dias e visões. Interrompida na maioria da vezes por David, pois ele sempre alerta e norteia a narrativa para o que é importante, Amanda conta tudo: desde o momento da chegada no povoado até o surgimento dos vermes.
O livro não conta com nenhum capítulo. É um texto corrido, que flui, ainda com a estranheza das primeiras páginas. Com um final incrível, surreal e assustador, o leitor vê-se órfão de uma escritora que deixou o fim nas mãos da nossa imaginação. O que acontece com os personagens a partir daí talvez nunca saibamos, mas nossa fantasia pode imaginar um fim mais feliz para cada um deles.
A estreia da autora pela Editora Record traz um livro bem produzido esteticamente, com uma capa instigante, bonita, com papel soft-touch na capa e um papel ótimo para leitura no miolo do livro. O livro tá indicado para os fãs de Llosa, Juan Rulfo e afins. Samanta conquista leitores de todos os estilos

Samanta Schweblin nasceu em Buenos Aires, em 1978. Formou-se em cinema pela Universidad de Buenos Aires. Em 2001, ganhou os prêmios Fondo Nacional de las Artes e Haroldo Conti, ambos na Argentina, por seu primeiro livro, "El Núcleo del Disturbio". Em 2008, foi a vez de "Pássaros na Boca" ser agraciado com o prêmio Casa de las Américas. Seus contos, traduzidos para o alemão, inglês, holandês, húngaro, italiano, francês, sueco e sérvio, apareceram em diversas publicações e antologias. Em 2010, Samanta foi apontada pela revista literária Granta como uma revelação entre os melhores escritores jovens de língua espanhola.
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