Do mesmo autor da famosa trilogia A Era da Informação, o livro O poder da Comunicação (Communication Power, Tradução de Vera Lúcia Mello Joscelyne, 2015, 1ª edição, 630 p., R$ 70,00) é o novo livro lançado no Brasil do sociólogo espanhol Manuel Castells.
O autor já conhecido no Brasil como autor da referida trilogia esmiúça a sociedade em rede, o poder da identidade e o fim do milênio. Dessa vez, o cientista social procura uma significação para o século XXI, onde a tecnologia e a comunicação nos cercam a todo instante.

Dividida em 5 capítulos, o autor inicia a obra definindo o que é poder e esclarecendo o papel do Estado na era da globalização. Pra isso, o autor não abdica de teorias que fundamentem seu pensamento. Ele cita a teoria da inteligência afetiva em comunicações políticas, por exemplo, além de citar Foucault, Habermas, Hannah Arendt, dentre outros. Assim, no primeiro capítulo temos um leque de citação de autores renomados que corroboram a ideia de Castells.
Na página 71 do livro, o autor afirma que "a sociedade em rede é uma sociedade global." E é a partir dessa afirmação que o autor começa a discorrer sobre o processo contemporâneo da globalização. Para o autor, a era da informação é, para a sociedade, aquilo que a Era Industrial foi para a sociedade industrial do século 18.
Tendo definido alguns conceito básicos no primeiro capítulo, o autor começa o afunilamento da temática, o que é um paradoxo, visto que o autor também converge para uma diversidade de assuntos que inclui desde as redes globais até a política americana.
O capítulo 2 apresenta uma operação analítica semelhante sobre a comunicação (sic), da mesma forma como foi feita no capítulo anterior ao definir o que é poder. Neste capítulo reside tópicos importantes que tratam acerca da mídia de massa e sobre uma possível revolução da maneira como se dá a comunicação. Para isso, ele usa termos como narrowcasting e broadcasting para exemplificar a forma como se dá as novas relações sociais.
O capítulo 3 talvez seja um dos capítulos mais polêmicos do livro, pois ao tratar da desinformação do público, sobretudo no norte-americano durante o governo Bush enquanto ocorre a Guerra do Iraque, o autor apresenta uma perspectiva de quem avalia como atores sociais e políticos podem estar interligado, de forma a intervir na mídia e outros setores da comunicação. Isso inclui informações fajutas que são reproduzidas pelas campanhas eleitorais de políticos. Daí, a conotação do título do livro: o poder da comunicação, ou seja, da informação que chega até o consumidor final dela.

O último capítulo 5 se apresenta esperançoso ao expor a atividade de movimentos sociais e seus agentes de transformação política.
Pois como diz o próprio autor, "na sociedade em rede, a batalha das imagens e molduras, na origem da batalha por mentes e almas, ocorre nas redes de comunicação multimídia" (pág. 355)
As descobertas, as liberdades individuais, os fenômenos midiáticos, a mente ambiental, a participação ativa das celebridades que salvam o mundo, a nova posição dos políticos e seus slogans de campanhas eleitorais encerram o livro de forma instigante. A eleição de Obama, em 2008, é o ponto culminante do capítulo 5. Mas junto a isso, o autor destaca a mobilização dos jovens nas campanhas e protestos.
Como o livro é de 2009, alguns acontecimentos, tais como a primavera árabe (que eclodiu em 2011) e as demais não está retratada no livro. Mas não é tão penoso assim, já que Castells conseguiu prever, com seu olhar sagaz, muitos acontecimentos que vieram após a publicação de seu livro.
O leitor não mais vê as propagandas e a comunicação em geral como antes. Passa a ver com um outro olhar as relações de poder e informação.
Das 629 páginas, 52 delas são somente de referências bibliográficas e 49 só de apêndice. Junto com elas, as 38 de índice remissivo provam o tamanho da pesquisa empreitada pelo espanhol ainda pouco conhecido pelo leitor fora dos muros acadêmicos. Não restringido ao estudantes de comunicação e áreas afins, o livro de Castells é esclarecedor, iluminante para uma geração que consome compulsivamente a informação que lhe é dada pelos meios. Nas palavras do autor, "as luzes acenderam no cinema. A sala vai se esvaziando lentamente à medida que os espectadores fazem a transição entre as imagens na tela e as imagens em suas vidas. (...) Então, de repente, você vê este livro".
E como uma cortina que se abriu na página 19, na 485 nós vemos o despertar de uma nova mente. Que livro incrível.
E como uma cortina que se abriu na página 19, na 485 nós vemos o despertar de uma nova mente. Que livro incrível.
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