"Me senti muito lisonjeado quando disseram que este era o livro definitivo sobre a Segunda Guerra Mundial. Mas, na verdade, não é assim. Sempre haverá novos elementos. Os arquivos da Rússia são enormes e só puderam ser consultados entre 1995 e 2000, enquanto o dos japoneses não deixam pesquisadores estrangeiros consultar os seus."
Essas são as palavras do próprio autor a respeito dos elogios recebidos a respeito do seu livro A Segunda Guerra Mundial (The Second World War, Tradução de Cristina Cavalcanti, 952 páginas, Editora Record, R$ 102,90). Beevor é um escritor exigente consigo mesmo, capaz de transformar um assunto já conhecido do público em algo quase inédito. Isso deve-se, claro, ao seu enorme prazer pela pesquisa e pelas informações. Foram mais de 30 anos dedicados à pesquisa sobre a Segunda Guerra que fizeram ele resgatar informações advindas dos arquivos russos, franceses e alemães.
A resenha vai ficar um pouco grande, mas é que o livro é tão colossal, que é difícil resumir tudo em algumas poucas linhas. E além do mais, deixamos aqui embaixo a dica para outros livros sobre esta temática.
A resenha vai ficar um pouco grande, mas é que o livro é tão colossal, que é difícil resumir tudo em algumas poucas linhas. E além do mais, deixamos aqui embaixo a dica para outros livros sobre esta temática.
Curiosidades, mistérios, segredos revelados e outros detalhes da Segunda Guerra Mundial com muita frequência são revelados em livros, filmes ou documentários. O que Antony Beevor faz então neste grande volume não é apenas isto. Ele ultrapassa as fronteiras históricas e nos informa coisas que até pouco tempo eram restritas ao mundo dos líderes políticos de vários países.
É meu primeiro Beevor. Naturalmente eu tenha tido um impacto positivo com a forma descritiva e narrativa do escritor. Mas nada difícil para quem conta a história da Grande Guerra com uma maestria de evocar a tragédia e conquistar o leitor logo nas primeiras páginas. Isso porque Beevor retratou muitos fatos baseados nos testemunhos dos combatentes franceses, pois seus descendentes divulgaram as cartas que eles escreviam enquanto estavam em campo de batalha. Em seu livro, Beevor dá ao leitor uma visão quase épica das batalhas do front ocidental e por outro lado a bravura dos heróis (anônimos?).
É meu primeiro Beevor. Naturalmente eu tenha tido um impacto positivo com a forma descritiva e narrativa do escritor. Mas nada difícil para quem conta a história da Grande Guerra com uma maestria de evocar a tragédia e conquistar o leitor logo nas primeiras páginas. Isso porque Beevor retratou muitos fatos baseados nos testemunhos dos combatentes franceses, pois seus descendentes divulgaram as cartas que eles escreviam enquanto estavam em campo de batalha. Em seu livro, Beevor dá ao leitor uma visão quase épica das batalhas do front ocidental e por outro lado a bravura dos heróis (anônimos?).
Fatos como os sacrifícios que os líderes soviéticos impuseram suas tropas na batalha de Stalingrado, onde 250 mil russos morreram ou a prática do canibalismo por parte dos japoneses são de surpreender não só o leitor, mas até o próprio autor, que se diz surpreso com tais acontecimentos. No livro, o autor fala como o nazismo nasceu no momento de Pós Primeira Guerra Mundial, com as alianças entre os países Itália e Japão e outras batalhas que se deram entre os aliados.
O autor inicia o livro narrando o breve acontecimento de um soldado coreano que se rendeu no Batalha da Normandia, em junho de 1944. A história deste soldado é importante para introduzir o leitor neste universo da Segunda Guerra, pois como ele (militar) havia sido capturado pelo exército japonês e logo depois pelos alemães nazistas, acabou (segundo o autor, por sorte) escapando das agruras da Segunda Guerra.
Importante destacar que se Beevor escolheu iniciar o livro relatando esta parte da história é porque, para ele, a guerra no lado oriental (Nanjing) entre chineses e japoneses foi um exemplo primeiro das atrocidades que viria a seguir. Para ele, esta "guerra civil internacional" teve um caráter desencadeador de outros conflitos. É esta a visão dele.
A partir daí o livro, que é dividido em 6 capítulos, cheio de mapas e completas descrições dos acontecimentos da Guerra, vai falar dos países participantes, dos heróis, dos civis, das batalhas e da selvageria que se deu nos dias de horror. Da violência contra crianças à violência contra as mulheres, o livro tem páginas que se pudéssemos espremer, joarraria sangue por todas elas.
Quando Beevor decide dedicar um capítulo sobre os campos de extermínio, principalmente o de Auschwitz, ele descreve os perfis monstruosos, tais como Rudolf Hoss (o inventor das câmaras de ácido cianítrico) o verdadeiro horror e monstruosidade que este agressor causou.
Já no capítulo sobre as bombas de Japão, há a infeliz história das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki. Beevor faz questão de citar os nomes da vítimas do Holocausto e das bombas.
Enfim, só um livro com suas 952 páginas para ser chamado de O definitivo livro sobre a Segunda Guerra Mundial. Talvez o excesso de fatos deixe um leitor desavisado meio cansado, mas estruturalmente o livro consegue ser uma enciclopédia de volume único.
É bem difícil sair das páginas desse livro sem sentir asco por alguns seres humanos capazes de executar milhões de outros. Um livro tremendamente bem escrito com alma, entusiasmo e firmeza nas colocações histórias. Um livro não tão somente para estudantes de História ou acadêmicos, mas para quem almeja compreender o horror de uma guerra que jamais poderá sair dos livros de História, muito menos de nossas memórias. A Editora Record presta um grande serviço aos leitores brasileiros ao trazer uma edição com a mesma capa inglesa, excelente tradução, fonte e diagramação. Possivelmente você, ao ler o livro, ficará com muitas imagens e acontecimentos impregnados na cabeça. É esta a intenção de todo bom livro bem escrito, como este.
Sobre o autor:
Antony Beevor estudou em Winchester e na Academia Militar de Sandhurst. Tornou-se oficial regular do 11º Regimento de Hussardos e deixou o exército depois de cinco anos para se tornar escritor. Publicou quatro romances e seis livros de não-ficção, entre os quais Berlim 1945 e Stalingrado. Foi vencedor dos prêmios Samuel Johnson de Não-Ficção, Wolfson de História e o Hawthornden; The Spanish Civil War; Inside the British Army; Crete - The Battle and the Resistance e Paris After the Liberation, 1944-1949, este último em parceria com a mulher, Artemis Cooper.
Outros livros do autor: O MISTÉRIO DE OLGA TCHEKOVA, BERLIM 1945: A QUEDA, A batalha pela Espanha, Dia D: a batalha pela Normandia, Stalingrado, Berlim 1945: A Queda (Vol. 1 e Vol. 2– edição de bolso)
Todos estes livros foram publicados pelo Grupo Editorial Record.
O autor inicia o livro narrando o breve acontecimento de um soldado coreano que se rendeu no Batalha da Normandia, em junho de 1944. A história deste soldado é importante para introduzir o leitor neste universo da Segunda Guerra, pois como ele (militar) havia sido capturado pelo exército japonês e logo depois pelos alemães nazistas, acabou (segundo o autor, por sorte) escapando das agruras da Segunda Guerra.
Importante destacar que se Beevor escolheu iniciar o livro relatando esta parte da história é porque, para ele, a guerra no lado oriental (Nanjing) entre chineses e japoneses foi um exemplo primeiro das atrocidades que viria a seguir. Para ele, esta "guerra civil internacional" teve um caráter desencadeador de outros conflitos. É esta a visão dele.
A partir daí o livro, que é dividido em 6 capítulos, cheio de mapas e completas descrições dos acontecimentos da Guerra, vai falar dos países participantes, dos heróis, dos civis, das batalhas e da selvageria que se deu nos dias de horror. Da violência contra crianças à violência contra as mulheres, o livro tem páginas que se pudéssemos espremer, joarraria sangue por todas elas.
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Trecho em que o autor fala das valas das vítimas e de como eles eram forçados a fazer isso. |
Quando Beevor decide dedicar um capítulo sobre os campos de extermínio, principalmente o de Auschwitz, ele descreve os perfis monstruosos, tais como Rudolf Hoss (o inventor das câmaras de ácido cianítrico) o verdadeiro horror e monstruosidade que este agressor causou.
Já no capítulo sobre as bombas de Japão, há a infeliz história das bombas sobre Hiroshima e Nagasaki. Beevor faz questão de citar os nomes da vítimas do Holocausto e das bombas.
Enfim, só um livro com suas 952 páginas para ser chamado de O definitivo livro sobre a Segunda Guerra Mundial. Talvez o excesso de fatos deixe um leitor desavisado meio cansado, mas estruturalmente o livro consegue ser uma enciclopédia de volume único.
Sobre o autor:
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Arquivo da Galeria do site do Autor |
Outros livros do autor: O MISTÉRIO DE OLGA TCHEKOVA, BERLIM 1945: A QUEDA, A batalha pela Espanha, Dia D: a batalha pela Normandia, Stalingrado, Berlim 1945: A Queda (Vol. 1 e Vol. 2– edição de bolso)
Todos estes livros foram publicados pelo Grupo Editorial Record.
Dicas de Leitura e vídeos sobre Segunda Guerra Mundial:
- Entrevista com o autor ao El País:
- Documentário: No Histoy Chanel há este incrível documentário sobre a Segunda Guerra Mundial. Para quem está estudando História no Ensino Médio para vestibular, vale a pena.
- Livro: Os afogados e os sobreviventes - Primo Levi (Também publicado pelo Grupo Editorial Record)
- Livro É isto um homem - Primo Levi
- Livro Inferno: o mundo em guerra 1939 -1945 - de Max Hastings

Fontes:
Editora Record / Intrínseca / Skoob
Livraria Cultura
Blog O rei vai vestido
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