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Madeleine: o bolo mais famoso da Literatura

Primeiramente, quero pedir desculpas pelo atraso das postagens do Projeto Proust. Esperamos que nossos leitores e editoras que apoiaram o projeto entendam, pois passamos por alguns problemas como falta de tempo e outros imprevisto.
Mas vamos em frente.
Continuando o nosso especial sobre a obra de Proust, iremo hoje publicar a receita do famoso bolinhos madeleine. Para quem não conhece a fama do bolo, boa parte dela se deve ao fato do bolo ser o pontapé inicial para que o narrador da obra "Em busca do tempo perdido" inicie suas memórias. Para ficar mais claro, vamos à citação do livro, onde se dá o episódio mencionado em que o narrador ao mergulhar um pedaço de bolo, a famigerada madeleine, numa xícara de chá reaviva e recorda os tempos idos de sua infância. A famosa cena se encontra no início do primeiro volume "No caminho de Swann". A partir desse ponto, ele vai costurando ao leitor as suas memórias.
Confira o trecho da obra que possui o episódio:
"[...]É assim com o nosso passado. Trabalho perdido procurar evocá-lo, todos os esforços da nossa inteligência permanecem inúteis. Está ele oculto, fora de seu domínio e do seu alcance, nalgum objeto material (na sensação que nos daria esse objeto material) que nós nem suspeitamos. Esse objeto, só de acaso depende que o encontremos antes de morrer, ou que não encontremos nunca.
Muitos anos fazia que, de Combray, tudo quanto não fosse o teatro e o drama do meu deitar não mais existia para mim, quando, por um dia inverno, ao voltar para casa, vendo minha mãe que eu tinha frio, ofereceu-me chá, coisa que era contra os meus hábitos. A princípio recusei, mas, não sei por quê, terminei
aceitando. Ela mandou buscar um desses bolinhos pequenos e cheios chamados madalenas e que parecem moldados com aquele triste dia e a perspectiva de mais um dia tão sombrio como o primeiro, levei aos lábios uma colherada de chá onde deixara amolecer um pedaço de madalena.
Mas no mesmo instante em que aquele gole, de envolta com as migalhas do bolo, tocou o meu paladar, estremeci, atento ao que se passava de extraordinário em mim. Invadira-me um prazer delicioso, isolado, sem noção da sua causa. Esse prazer logo me tornara indiferentes as vicissitudes da vida, inofensivos os seus desastres, ilusória a sua brevidade, tal como o faz o amor, enchendo-me de uma preciosa essência: ou antes, essa essência não estava em mim; era eu mesmo. Cessava de me sentir medíocre, contingente, mortal.
De onde me teria vindo aquela poderosa alegria? Senti que estava ligado ao gosto do chá e do bolo, mas que o ultrapassava infinitamente e não devia ser da mesma natureza. De onde vinha? Que significava? Onde aprendê-la? Bebo um segundo gole em que não encontro nada demais que no primeiro, um terceiro que me traz um pouco menos que o segundo. É tempo de parar, parece que está diminuindo a virtude da bebida. É claro que a verdade que procuro não está nela, mas em mim.
A bebida a despertou, mas não a conhece, e só o que pode fazer é repetir indefinidamente, cada vez com menos força, esse mesmo testemunho que não sei interpretar e que quero tornar a solicitar-lhe daqui a um instante e encontrar intacto à minha disposição, para um esclarecimento decisivo. Deponho a taça e volto-me para o meu espírito. É a ele que compete achar a verdade. Mas como? Grave incerteza todas as vezes em que o espírito se sente ultrapassado por si mesmo, quando ele, o explorador, é ao mesmo tempo o país obscuro a explorar e onde todo o seu equipamento de nada lhe servirá. Explorar? Não apenas explorar: criar. Está em face de qualquer coisa que ainda não existe e a que só ele pode dar realidade e fazer entrar na sua luz."
(Pág. 31, Tradução Mário Quintana, 1982, Abril Cultural
Agora vamos à receita?



Madeleine de Proust

*Receita do Chef Boulanger-Pâtissier Rafael Tabach . São bolinhos aromatizados
com limão, da cidade de Proust na França. São servidos como petit-fours, acompanhando
lanche da tarde, chás, etc. Por causa da sua constituição, são muito macios e saborosos.
Ingredientes
· 2 ovos grandes
· 85g de açúcar refinado
· 1 pitada de sal
· 90g de farinha de trigo peneirada
· 2,5g de fermento químico em pó (cerca de 1/3 de colher de café)
· 90g de manteiga sem sal derretida e fria
· 10g de mel fino
· raspas de casca de dois limões (somente a parte verde)



Modo de Preparo

Coloque os ovos em uma tigela e bata bem. Acrescente o açúcar e bata bem até homogeneizar por completo. Incorpore a farinha e o fermento peneirados juntos e mexa bem, sem bater. Adicione a manteiga e o mel, e mexa bem para homogeneizar. Cubra a tigela com um plástico, leve à geladeira e deixe descansar por 30 minutos. Unte as formas de madeleine com manteiga derretida e coloque porções da massa quase até a borda de cada forminha. Leve ao forno pré-aquecido a 230 graus. (Esta temperatura é necessária para a madeleine "subir"). Após 6 minutos, reduza a temperatura do forno para 190 e abra um pouco a porta (não escancarar) por 2 a 3 minutos para a madeleine continuar assando toda por igual. Asse por 15 minutos aproximadamente, até elas estarem douradas e firmes. Desenforme quando sair do forno e consuma

E que tal experimentar um xícara de chá com madeleine sendo acompanhado pela leitura Proustina?
hahaha
Nada mal, hein?
Vamos lá!
Bom chá!
:D


______________
Fonte: Terra Culinária / Wikipédia

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