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Editora Paulus, Rabindranath Tagore, Tradução de Ivo Storniolo, 480 páginas, R$ 22,00 |
De antemão, é preciso saber que Rabindranath Tagore foi um ser extremamente apaixonado do absoluto. Entretanto, como é natural acontecer, ele não encontrou o que buscava: o sentido e o mistério do Absoluto, mas compreendeu nos acontecimentos cotidianos e nos seres humanos o que procurava. Amigo pessoal de Mahatma Ghandi, o escritor cultivou em sua obra textos que se aproximam de seu ideal e de sua cultura. Sua preocupação em defender a independência da Índia, por exemplo, levou-o a escrever sobre temas sociais em seus textos.
Sua poesia é um misto dos adjetivos dados ao título desta postagem: lírica, mística e breve. É justamente essa a proposta do livro Poesia Mística - Lírica Breve (Editora Paulus, Rabindranath Tagore, Tradução de Ivo Storniolo, 480 páginas, R$ 22,00)
Neste livro, Tagore derrama sacralidade e temas vulneráveis da vida cotidiana. E assim ele vai revelando a incessante busca do ser humano por um ser superior.
De classificação um pouco difusa, o livro é uma composição de oito pequenas obras, ou melhor, textos poéticos, mas também de escritos que transitam entre a prosa poética compondo assim a afamada "Lírica Breve".
Nele pode-se encontrar observações profundas a respeito de distintos momentos da vida. No livro há impregnadas reflexões de Tagore sobre os fundamentais estados psíquicos do ser humano, o que faz da obra um livro nem um pouco complexa, ao contrário, traz até o leitor divagações da nossa alma inquieta, porém, nem sempre exposta.
O livro oferece ao leitor uma mensagem sempre humanitária e universalista, típico de Tagore. Não é a toa que seu nome, ocidentalizado do nome em sânscrito, quer dizer "homem nobre". É difícil definir Tagore, tamanha a sua universalidade, mas ouso "roubar" aqui uma afirmação dada por Laura Santoro Ragaini, num ensaio sobre Tagore, onde a mesma declara: “Bisso Kobi, Poeta Universal, chamam-no na pátria. É o título que ainda hoje melhor lhe assenta”. E tá dito!
É com uma mensagem de "Paz e Amor", que durante as 480 páginas do livro percebemos a consistência de sua obra ao longo do tempo. Temas como família, relações humanas e conflitos sociais, mantém-se atuais ainda na Índia contemporânea, mas também cá, nestes lados ocidentais. O idealismo filosófico da obra, frente à consciência humanizada do escritor lega a nós, mortais leitores, o culto pela vida espontânea, livre e bela. Pois é notável que este é um dos princípios ativos que o autor, dotado de uma sensibilidade não trivial, mergulhou. Seu contato com o mundo exterior é inteligente. Com o interior humano, sensível.
Após ler os poemas e demais textos, você não sai do livro sem refletir e sem fazer interrogações. Pois fica a marca tagoreana em nosso ser, na qual poucas poesias introspectivas conseguem. É consequência de uma poesia madura e nada mais.
"As nuvens de tempestade rondam no céu, as chuvas de junho se precipitam,
De classificação um pouco difusa, o livro é uma composição de oito pequenas obras, ou melhor, textos poéticos, mas também de escritos que transitam entre a prosa poética compondo assim a afamada "Lírica Breve".
Nele pode-se encontrar observações profundas a respeito de distintos momentos da vida. No livro há impregnadas reflexões de Tagore sobre os fundamentais estados psíquicos do ser humano, o que faz da obra um livro nem um pouco complexa, ao contrário, traz até o leitor divagações da nossa alma inquieta, porém, nem sempre exposta.
O livro oferece ao leitor uma mensagem sempre humanitária e universalista, típico de Tagore. Não é a toa que seu nome, ocidentalizado do nome em sânscrito, quer dizer "homem nobre". É difícil definir Tagore, tamanha a sua universalidade, mas ouso "roubar" aqui uma afirmação dada por Laura Santoro Ragaini, num ensaio sobre Tagore, onde a mesma declara: “Bisso Kobi, Poeta Universal, chamam-no na pátria. É o título que ainda hoje melhor lhe assenta”. E tá dito!
Após ler os poemas e demais textos, você não sai do livro sem refletir e sem fazer interrogações. Pois fica a marca tagoreana em nosso ser, na qual poucas poesias introspectivas conseguem. É consequência de uma poesia madura e nada mais.
Deixo aqui para apreciação um dos textos do livro. Pois pra quem gosta de poesia sacra, o livro é um prato cheio, ou melhor, uma ceia litúrgica completa!
E você pode "comê-lo" em qualquer lugar. O excelente trabalho gráfico do livro possibilita levá-lo no bolso para onde você for.
"As nuvens de tempestade rondam no céu, as chuvas de junho se precipitam,
e o vento úmido do leste corre pelo deserto para tocar sua música na flauta dos bambus.
Então, de repente, e não se sabe de onde, surgem multidões de flores,
dançando sobre a relva em louca alegria.
Mãe, acho que as flores vão a uma escola embaixo da terra.
Mãe, acho que as flores vão a uma escola embaixo da terra.
Elas têm suas aulas de portas fechadas e, se quiserem sair antes do tempo para brincar,
a professora as põe em um canto, de castigo.
Quando cai a chuva, porém, é dia de festa para as flores.
Os galhos se entrechocam na floresta, as folhas murmuram ao sabor do vento selvagem,
Os galhos se entrechocam na floresta, as folhas murmuram ao sabor do vento selvagem,
as nuvens trovejantes batem palmas com suas mãos gigantes,
e as flores-crianças saltam fora correndo, vestidas de amarelo, rosa e branco...
Mamãe, bem sabes que a casa delas é no céu, onde estão as estrelas.
Não percebeste a vontade que elas têm de ir para lá?
Não percebeste a vontade que elas têm de ir para lá?
Não sabes por que correm tanto?
Pois eu sei para quem as flores levantam os braços: elas têm a mãe delas, assim como eu tenho a minha!"
Dignidade seja dada à obra Tagoreana. Salve! Salve!
Até a próxima.
Abraço
Dignidade seja dada à obra Tagoreana. Salve! Salve!
Até a próxima.
Abraço
Sabes que eu adoro poesia. Foi muito bom ler o que eu li aqui. Parabéns pelo post. Adorei o teu blog! Parabéns pelo capricho. Estou seguindo, viu?
ResponderExcluirSe puder retribuir no meu, ficarei feliz *-*
http://foolishhappy.blogspot.com.br
beijocas!