Neste livro, Agamben
incita-nos a repensar as relações que temos com nós mesmos, bem como a
animalidade que habita o corpo humano, uma vez que o filósofo defenda a
dualidade e propõe a reflexão que nós, seres humanos, somos diferentes dos
animais por não sermos fechados e/ou aprisionados ao meio, mas sim abertos. Daí
o título que o livro carrega: somos seres apinhados sobre outros, abertos,
somos o Dasein**, teorizado por
Heidegger.
Agamben
trata do aberto, enquanto faculdade humana, ou seja, como a abertura que conduz
o ser ao mundo. Agamben didaticamente esclarece isso no capítulo 13, ao
fundamentar com o pensamento heideggeriano: "o
aberto de que trata Rilke não é o aberto no sentido de desvelamento. Rilke não
sabe nem intui nada sobre a aletheia; não
sabe e não intui nada assim como Nietzche". Assim, podemos entender que o homem é um ser eminentemente
aberto, propenso a decisões políticas, portanto.
Esclarecido isso, vamos resumir superficialmente alguns
capítulos importantes desse livro. São 20 ensaios que giram em torno do mesmo
eixo temático, basicamente os seguintes: a gênese da vida humana e animal, o
humano e suas formas (teremorfo) e a maquinização antropológica do ser humano.
As reflexões iniciais de Agamben parte do seguinte
quadro:
Bíblia Hebraica do século XIII: a visão de Ezequiel, os três animais da origem, o banquete messiânico dos justos [Milão, Biblioteca Ambrosiana]. In: Agamben, G. O Aberto: O Homem e o Animal. p. 2 |

Sem resposta
concreta, o filósofo interpreta da seguinte forma: “cada um dos arcanos
corresponde a uma das divisões do reino animal [bípedes, quadrúpedes, aves,
peixes e répteis], e todos, as ‘cinco naturezas’ do corpo humano [ossos,
nervos, veia, carne e pele], de modo que a representação teromórfica*** dos
arcanos remete diretamente ao tenebroso parentesco entre macrocosmo animal e
microcosmo humano”[p.12].
Em
suma, podemos dizer que para ele, o aberto não pode ser identificado como um
sujeito apenas enquanto ser existencial, mas sim também na esfera orgânica. O
aberto é, sobretudo, uma característica de politização. Mas que fique claro, o
filósofo não quer tão somente fundar essa peculiaridade política ao ente, mas
colocá-lo ainda como um ser que mobiliza, manipula e controle outrem e a si.

O livro é
uma reedição da Editora Civilização Brasileira, que nos proporciona maior
contato com as reflexões teóricas e filosóficas de Agamben, afinal, trata-se de
um livro acadêmico adotado em diversas seleções de mestrado e doutorado. Diante
disso, sugiro que o livro aos professores universitários e acadêmicos em geral.
Ainda que o livro trava muitas informações acerca da mitologia, filosofia,
ciência e história, é possível que um leitor principiante encontre prazer neste
que é, sem dúvida, um melhores livros já escrito sobre o limite do homem e o
animal.
NOTAS:
*Giorgio Agamben é um dos mais respeitados filósofos da atualidade. Seus
textos têm sido estudados nas universidades brasileiras nas áreas das
humanidades e se tornado referência para a criação artística. Respeitado pela
crítica, costuma se posicionar publicamente a respeito de questões
contemporâneas, como na renúncia do Papa Bento XVI. É publicado por diversas
editoras no Brasil. Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942. É professor da
Facolta di Design e arti della IUAV (Veneza), onde ensina Estética, e do
College International de Philosophie de Paris. Formado em Direito, foi
professor da Universitá di Macerata, Universitá di Verona e da New York
University, cargo ao qual renunicou em protesto à política do governo
norte-americano. Sua produção centra-se nas relações entre filosofia,
literatura, poesia e fundamentalmente, política. Entre suas principais obras
estão Il linguaggio e la morte (Einaudi, 1982), la formula della creazione
(Quodlibet, 1993), escrito com Giles Deleuze, Homo Sacer (Einaudi, 1993/ Homo
sacer- O poder sobernao e a vida nua -UFMG), Que lê resta di Auschwitz,
(Bollati Boringhieri, 1998) e Stato di Eccezione (Bollati Boringhieri,
2003). Sua obra, influenciada por Michel Foucault e Hannah Arendt,
centra-se nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente,
política.
**Dasein: “Da-”, significando “aí”, e “sein”, significando “ser.
*** Adj. Que faz menção ou se refere a heteromorfia (tudo aquilo que
apresenta diferentes formas, mesmo sendo da mesma espécie).
Fontes:
Fontes:
Skoob:
https://www.skoob.com.br/o-aberto-218236ed676964.html
Editora
Record: http://www.record.com.br/autor_sobre.asp?id_autor=6808
Dicionário
Informal: http://www.dicionarioinformal.com.br/heterom%C3%B3rfica/
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