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Pintura de Ferdinand Georg Waldmüller (1838) |
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Pintura de Louis-Auguste Bisson (1842) |
Honoré de Balzac foi disperso, prolífico, ambicioso, genial:
Honoré de Balzac (1799-1850) foi, como ele mesmo dizia, mais que um romancista, um cronista de costumes. Seu maior projeto literário, A comédia humana, tomou vinte e um anos de sua vida e foi interrompido apenas com sua morte, aos 51 anos. Na imensa obra, Balzac pretendeu fazer um verdadeiro inventário da França no século XIX: costumes, negócios, casamentos, ciências, modismos, política, profissões, tudo entrava nesse imenso painel, costurado com maestria narrativa e exibido aos poucos em folhetins.
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“Junho de 1835
Meu Anjo Amado,
Estou louco por você, tanto quanto se pode ser louco: eu não posso juntar duas ideias sem que você se interponha entre elas. Eu não posso mais pensar em nada além de você. Ao invés de mim, minha imaginação me leva a você. Eu te aperto, eu te beijo, eu te acaricio, mil das carícias mais amorosas tomam posse de mim. Quanto ao meu coração, lá você sempre estará – e muito. Eu tenho uma sensação deliciosa de você lá. Mas, meu Deus, o que será de mim, se você me privou da minha razão? Isto é uma obsessão que, nesta manhã, me aterroriza. Eu me levanto a todo o momento para dizer para mim mesmo: ‘Venha, eu vou lá!”Então eu me sento novamente, movido pela consciência de minhas obrigações. Há um conflito terrível. Isso não é vida. Eu nunca fui assim. Você devorou tudo. Eu me sinto estúpido e feliz assim que me vejo pensando em você. Eu rodopio em um sonho delicioso em que, em um instante, eu vivo mil anos. Que situação horrível! Dominar com amor, sentindo o amor em cada poro, vivendo apenas para o amor, e vendo-se consumido por dores, e preso em mil teias de aranha. Ó, minha querida Eva, você não sabia disso. Eu peguei seu cartão. Está lá diante de mim, e eu falei com você como se você estivesse aqui. Eu vejo você como ontem, linda, surpreendentemente linda. Ontem, durante toda a noite, eu disse a mim mesmo ‘Ela é minha!’ Ah! Os anjos não são tão felizes no Paraíso, como eu era ontem.”
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Fonte:
Revista Bula / Globo Livros
Fonte:
Revista Bula / Globo Livros
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