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Em "Rio Negro, 50" a cultura negra é narrada com muita subjetividade

 Que tal um livro que fale da grande cultura negra de uma forma subjetiva de quem realmente sabe, e vive, a negritude na pele?

Por Juliene Lopes*

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Um linchamento acontece na Central do Brasil, no dia seguinte à derrota da seleção brasileira de futebol na final da copa de 1950. É com violência que Nei Lopes inicia seu mais recente romance: Rio Negro, 50. Um romance onde a figura principal é o negro, não cabendo o título de principal a nenhum dos diversos personagens que nos são apresentados. Tampouco há uma única história. Rio Negro é formado de várias histórias, vivenciadas por personagens que se cruzam ao longo do romance.

Essa é a trama de Rio Negro, 50 (Nei Lopes, Record, 2015, 288 págimas ) novo romance de um dos sambistas vivo mais versáteis do país.


Trata-se de uma época de protagonismo de negros e mulatos da cena cultural carioca e brasileira. É nos fictícios Café Bar Rio Negro e no Arabá, que os mais diversos diálogos são travados e que conhecemos os personagens. O primeiro frequentado por jornalistas, escritores, comunistas e intelectuais e o segundo, do outro lado da avenida, com clientela constituída por sambistas, vedetes, boêmios e funcionários públicos. 


Nesta narrativa (escrita no tempo presente) podemos saber mais sobre a cultura negra e sobre a condição social do negro. O preconceito é tema constante e embora tenham passado tantos anos desde aquela época ele ainda está presente no cotidiano de nosso tempo. Em Rio Negro, 50 percebemos ele logo de cara, quando vemos a expressão "colored" utilizada para nomear os frequentadores do Arabá. Muito já foi feito e conquistado, mas o preconceito está ali, de modo velado. 

No livro, Nei tenta dar uma perspectiva geral do negro no Brasil, eles são vistos em todas as esferas sociais. Ao contrário de outros romances que lemos por aí, que prendem o negro à posições sociais subalternas, nesta narrativa o negro ocupa os mais diversos espaços: universidade, teatro, o bar, a feira, a favela, hotéis, cozinhas, boates, escolas de samba, terreiros de candomblé, rádio, televisão...

Alguns fatos importantes são citados: a morte de Getúlio Vargas, o surgimento da TV, a era de ouro da rádio, a riqueza do candomblé e as tentativas de fazê-la uma religião marginal, o crescimento e evolução das escolas de samba, a vida noturna e boêmia no Rio de Janeiro.

Recomendo Rio Negro, 50 para todos que queiram saber um pouco mais sobre a história do Brasil e do povo negro, bem como sua contribuição para o enriquecimento da cultura nacional.
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Nei Lopes, bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (atual UFRJ), é compositor de música popular e escritor. Dedicado estudioso da cultura africana, tem diversos livros e artigos publicados sobre o assunto. Renomado pesquisador, autor e intérprete de clássicos da música brasileira, Nei Lopes é autor dos romances A lua triste descamba e Mandingas da “Mulata Velha” na Cidade Nova, além de importantes obras de referência sobre a cultura afro-brasileira, como Enciclopédia da Diáspora Africana eDicionário da Antiguidade Africana. Em 2005 recebeu do governo federal a comenda da Ordem de Mérito Cultural. Em 2006 foi incluído no rol dos “100 brasileiros geniais”, em votação da revista O Globo.É autor de 20 contos e uns trocados, publicado pela Editora Record em 2006.


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*Resenhado pela leitora e colaboradora especial do blog Juliene Lopes

Fonte:

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