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Queda de Gigantes - Um retrato colorido de um terço do Século XX


O aclamado escritor galês Ken Follet é autor da não menos famigerada saga Pilares da Terra e já se consagrou como um brilhante mestre na arte de mesclar História e ficção.
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Uma teia de aranha onde 5 famílias em partes diferentes do globo se entrelaçam. Junte-se a isto a análise dos acontecimentos que marcaram o século passado e você tem nas mãos o colossal livro Queda de Gigantes (Editora Sextante, 2010,912 páginas, Tradução de Fernanda Abreu, R$ 59,90) o primeiro da Trilogia 'O Século', de Ken Follet. 


A Trilogia gira em torno dos três principais fatos ocorridos: a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial e Guerra Fria.
Mas em meio a tantos livros que trazem a História como pano de fundo, o que esta trilogia tem de diferente? Pergunta um leitor desavisado.

A resposta é enfática: o livro é contado pela ótica de um escritor meticuloso deixando o leitor deslumbrado com a reconstrução do cenário histórico e seus distintos personagens. Estes desfilam ao longo da trama fazendo com que cerca de mil páginas fluam numa leitura prazerosa e natural. Talvez nunca um escritor tenha conseguido sintetizar tão bem História e romance ficcional numa só obra. Não é exagero, vejamos.

Estamos no início do século XX quando desponta a aurora de um novo tempo.
Somos apresentados a 5 famílias: uma norte-americana, outra russa, duas inglesas e uma alemã. 

As 5 principais famílias protagonistas da história possuem personagens de caráter forte.
*Os Williams, ingleses pobres conhecidos como galeses, têm como integrantes Dai,  Cara, Billy e Gramper. Dai participa do Sindicato e Billy William é um garoto de 13 anos que ingressa no universo masculino muito cedo, como era natural naqueles tempos e começa a trabalhar numa mina na Gália.
*Os Fitzherbert, que por sua vez são nobres ingleses têm entre seus membros o chefe Fitz, sua esposa Bea e Maud, que aos 23 anos é considerada velha para os tempos e participa do movimento sufragista, indo contra a ideologia do seu irmão. Além do mais irá se apaixonar pelo jovem Von Ulrich - trabalhador da embaixada alemã na Grã-Betanha. Um romance proibido, mas que trará muita disposição para os dois jovens enamorados.
*Há a família dos austríacos Robert e seu irmão Walter, trabalhadores do governo, mas que moram na Inglaterra e ambos são amigos da família aristocrata Fitzherbert.
*A outra família do núcleo central é a do nobre americano Gus Dewar e quem mais chama a atenção é o jovem Gus Dewar, um rapazote que faz sucesso na carreira após ingressar na Faculdade de Direito dos EUA, mas não no campo afetivo. É sua família que servirá de conselheira para Wilson, o Presidente do país. Gus, depois de uma decepção amorosa reencontra-se com uma velha amiga dos tempos de criança - Olga Vyalov. É o suficiente para ambos acreditarem que agora vai dar certo...
*Por último há ainda a família de Lev e Grigori, órfãos, pobres e desprezados pelo sistema que tentam fugir para a América para tentar viver o famoso sonho da época: o "sonho americano". Entretanto, a vida dos dois se transforma ao conhecerem Katerina, uma mulher que atrai os olhares de ambos e ela terá que escolher somente um, claro.

Todas estas famílias terão suas vidas cruzadas e marcadas pelos acontecimentos que se sucedem. 
Dos 124 personagens enumerados por Ken Follett são estes 4 os que mais circundam os nossos olhares e chamam a nossa atenção pelo protagonismo de suas ações, dramática, por sinal.
Os protagonistas têm suas vidas entrelaçadas em diversos momentos, apesar de não terem nenhuma ligação no início da obra, mas que no decorrer da narrativa as peças vão se encaixando como um quebra cabeça estupidamente bem montado por Ken Follett.

Em Queda de Gigantes a trama vai se derramando ao redor do nosso espaço, nos invadindo e nos integrando naquelas guerras e movimentos, mais precisamente no Século! A medida que vamos conhecendo os personagens, vamos detectando as linhas tênues do bem e do mau que são impulsionadas pelas forças e motivações de um ser humano, deixando marcas para a História.

Nos 9 anos abrangidos pela história, ocorrem muitas surpresas, incluindo o encontro de personagens da História Oficial com personagens do livro. É assim com  Winston Churchill, Wodrow Wilson, Lênin, Trótski, Stálin, o kzar da Rússia, da Alemanha, dentre tantos outros. 
Terão sido os americanos mesmo bonzinhos? Os alemães culpados? 
Não querendo ingressar num engajamento político-social, o autor acaba nos colocando pontos que nos levam a refletir sobre a História, seja ela política, social ou econômica, sobretudo. Talvez uma das maiores qualidade de Ken Follett ao escrever o livro é que ele não aponta culpados ou inocentes como motivo para a Primeira Guerra Mundial. 
Os personagens de "Queda de Gigantes" são vivos e circulam pela trama interagindo normalmente com personagens históricos e, assim, favorecem ao leitor uma visão mais ampla da época representada. Os personagens, que no decorrer da trama envolvem-se em romance, espionagem, intriga e suspense, nos passam a ideia de ter realmente existido e tem o poder de ultrapassar as páginas e ficarem gravados em nossa memória. É uma epopeia que merece ser lida com muito cuidado, mas muito cuidado, degustando cada página plena de muitas informações e emoções.

O livro termina e você só lamenta uma coisa: os personagens deveriam realmente ter existido...
Os segundo livro, "Inverno do Mundo" já se encontra à venda e tem como pano de fundo a Grande Depressão de 1929. O terceiro livro deverá ser publicado em 2014 e encerrará a trilogia durante a Guerra Fria. Agora é aguardar!

No site da Editora Sextante há uma entrevista feita com o autor do livro. Confira neste link.
Na página da Arqueiro há um especial sobre a obra. Veja aqui.

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