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Dize-me o que lês que eu te direi quem és!

Ler: uma salvação e um desafio
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Não sei o limite da afirmação dita acima, visto que estatisticamente o número de livros lidos pelos brasileiros é, relativamente, pequeno, quando comparado a outras nações culturais. Foi divulgado recentemente que o brasileiro lê em média 4 livros por ANO! Um absurdo, parece mentira.
O que sei é que grande é a carga preconceituosa para com aqueles leitores de perfil auto-ajuda, best seller ou chic list.
Mas até que ponto podemos julgar o hábito de leitura de alguém? 
Não é porque prefiro os clássicos aos best seller que vou pré-julgar aqueles que adooooram os best sellers. Leio best seller, até, mas sou bem seletivo com tais.
Dostoiévski, Kafka, Shakespeare é bom. Mas temos exemplos de clássicos que é, simplesmente, um porre! Tome Walter Scott, por exemplo, onde eu nunca consegui, e provavelmente, não o terminarei, tão cedo, tão chata é o desenrolar da história.
O fato de saber que clássicos possuem seu valor canonizado e pesam culturalmente influenciando obras futuras corrobora a teoria de que os mesmos devem ser lidos e relidos quantas vezes desejadas.

Mas vamos lá?
O que você lê? Jornais, revistas científicas ou de fofocas, best seller, clássicos, biografias, chic list?
Talvez isso possa dizer muito a seu respeito. A leitura remete muito ao cérebro e, consequentemente, o que você pensa do e sobre o mundo ao seu redor. Pois tudo o que lemos pode influenciar de forma direta e indireta na nossa forma de ver e pensar. Ler jornais e revistas científicas ou informativas tornam você um cidadão mais crítico, de olhar e visão mais prescrutadora. Porém não impede de que encontremos isto em livros específicos de ficção, mas temos que ter cuidado com a tênue linha entre ficção e realidade.
Tudo bem, você não gosta de ler jornais. Então, há em algumas revistas (até mesmo a Playboy) crônicas e artigos escritos por jornalistas de renome. Procure atentamente nas próximas vezes que folhear uma revista quais as boas reportagens, pois diversos são os textos servidos somente para encher espaço no mercado editorial.

Qual o preconceito para com os best sellers? Por que discriminam Paulo Coelho no meio literário? E o olhar torto dirigido a quem lê autoajuda?
São perguntas como essas que os acadêmicos enchem a boca para tentar esclarecer a população de que a boa leitura encontra-se fundamentada nos clássicos.
O problema de muitos best sellers (e aqui eu corro o risco de ser até apedrejado) é que muitos são o arroz com feijão da literatura. Isto é, usam e abusam dos mesmos ingredientes, já maçantes, para alcançar o sucesso.
Perdoem-me os fãs de específicos autores, mas pelo pouco que li deles, percebi que até o vocabulário (não é culpa da tradução, pois esta é um assunto à parte) é limitado. E a história de muitos cabe dissecado num tweet, como disse Paulo Coelho a respeito do clássico "Ulisses". E até aproveito aqui para comentar a burrice que Paulo Coelho cometeu. Ulisses é uma obra tão grandiosa metaforicamente que eu nunca me senti preparado para ler. Preciso de mais maturidade literária para adentrar no mundo de Joyce, um gênio.


Pois bem, voltando ao dissecamento de obras. A narrativa de alguns romances é simplesmente a mesma, o mesmo fio condutor, os mesmos círculos. Basta analisar pormenorizadamente a trama. "Werther", de Goethe, por exemplo, cabe num tweet. (Os fãs do alemão irão me degolar, já vejo...). Literatura não é sms, não é algo condensado ou adaptado. Longe disso. Literatura é algo solidificado, profundo e no fim, sempre deixa no leitor uma indagação. Cabe a você analisar.

Se você lê Platão, Sócrates ou Aristóteles, filósofo.
Se você lê autoajuda, psicólogo do cotidiano.
Se você lê clássicos, taxado de pseudo intelectual e descontextualizado.
Se você lê sagas, séries ou trilogias, nerd, geek.
Se você lê chic list, um (a) mestre em tal assunto.
Se você lê biografias, gosta de saber da vida alheia.
Se você lê best seller, é viciado em modas.

Os perfis citados acima são lichês que encontrei por aí. E são tão estereotipados que nem devem ser levados a sério. 

Ler é terapia, causa prazer e até orgasmo (vá lá, eu exagerei no livro Kama Sutra). Mas o fato é que a sensação de ler é um muito, muito gostosa, sobretudo quando é AQUELE livro! Portanto não importa qual livro você está lendo no momento, o que importa é a forma como você vai sair depois dele! Preste atenção nas entrelinhas, na história, na ideologia do autor, o que ele pensa, o que ele quer passar quando a história é uma guerra de tronos, por exemplo. Não se deixe ser manipulado por modas, por ditadura literária. Traçe seu perfil de leitor, mas não deixe de ler aquele livro que deseja. Somos livros livres e podemos ler o que quisermos. Com certeza você encontra algo bom em determinado livro.
Isso ocorreu-me quando tive que ler, por exemplo, o livro "Recordações do escrivão Isaías Caminha". Achei chato pra caramba, mas aprendi o contexto histórico da época da narrativa. 
É neurose contemporânea da sociedade ditar que livros devemos ler. Quem tem a coragem de dizer que o grau de autenticidade dentro de uma série, uma trilogia ou uma saga é pequena? Isso parece não importar àquelas pessoas que simplesmente adoram o que é fabricado industrialmente para milhões. 
Isso tornará o leitor menos "especial" ou menos "inteligente"? Claro que não! Cresce o número de leitores, isso é notável. Grande parte dos leitores de hoje são pessoas que cresceram lendo Harry Potter, por exemplo. J.K. Rowling tem o mérito de ter suscitado nas criaturas pueris o gosto pelos livros. Os fãs de HP hoje leem clássicos ou livros que enveredaram na mesma veia de criação. E isso é importante ressaltar: o mundo lê mais porque houve um incentivo.  
As pessoas insistem em criticar, mas um dos grandes legados de HP é que não havia até o século passado uma obra que servisse de intermédio entre as gerações (infância - adolescência - juventude). Até então liam-se os clássicos infantis e já eram transportados para obras mais maduras. Não tinha uma obra que os preparasse para tal momento. Foi com HP que surgiu essa mediação. E muitos pontos sejam dados à Rowling.

Clássicos, best sellers, chic list, autoajuda, biografias, documentais. Não importa. São leituras que certamente acrescentarão algo de bom no seu interior. Resta ser cauteloso para com a influência deles em sua vida. Nem tudo o que se lê deve ser absorvido, sobretudo quando se trata de livros de pequeno valor cultural, se é que me entendem.
A leitura é a PRINCIPAL forma de aquisição do conhecimento aqui pelos lados ocidentais e isso torna uma máxima a frase: "Dize-me o que lês, que te direi quem és".

Fonte: Consed

Comentários

  1. "Se você lê biografias, gosta de saber da vida alheia." kkkkkkkkkkkk eu não sou fofoqueira. só gosto de saber da vida alheia mesmo, principalmente da Anne Frank. :P

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  2. Mas tem uma diferença entre gostar de saber da vida alheia e ler Anne Frank, né?! Acho que biografias o autor se referiu a cantores tipo Justin Bieber, Lu Alone, Demi Lovato, Miley Cyrus e todos esses cantores que ainda não viveram o suficiente pra escrever um livro.

    Bjs!

    ResponderExcluir

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